TIRE O SEU RACISMO DO CAMINHO QUE EU QUERO PASSAR COM A MINHA COR. Georges Najjar Jr

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Racismo contra filho motivou saída Zé Roberto do Inter


ze roberto no bahia
Racismo contra filho motivou saída do Inter, diz Zé Roberto


Com o sentimento de ter feito "a escolha certa" em ter ido para o Bahia, e não para qualquer outro clube, o meia Zé Roberto foi apresentado oficialmente na tarde desta segunda-feira, em Salvador.
Zé Roberto tinha contrato com o Internacional, seu ex-clube, até 2013. Segundo ele, um dos motivos em ter deixado Porto Alegre foi o fato de o seu filho, apenas cinco anos, ter sido vítima de racismo no colégio onde estudava.
"Eu não gosto nem de falar muito sobre isso. Mexeu muito comigo, com a família. Foi o que mais fez com que eu deixasse o Inter", confessou. De acordo com o meia, o assunto está sob cuidado do seu advogado.
Em relação ao seu novo time, a estrutura e os projetos do clube, por exemplo, foram fatores determinantes para que pudesse jogar no Bahia, segundo o atleta. "A maneira como o Bahia está se organizando e a grandeza do clube me ajudaram muito. Não tenho dúvidas de que fiz a escolha certa", garantiu.
Desde dezembro do ano passado, o meia estava nos planos do Bahia. No entanto, a negociação não foi adiante porque o Vitória entrou na transação e porque o atleta tinha algumas pendências para resolver com o Internacional.
Zé Roberto foi contratado pelo Bahia por dois anos, sendo que 50% dos direitos econômicos do atleta pertence à equipe tricolor.
Fonte: A Tarde

Brasil é segundo país mais desigual do G20, aponta estudo


O Brasil é o segundo país com maior desigualdade do G20, de acordo com um estudo realizado nos países que compõem o grupo.

De acordo com a pesquisa Deixados para trás pelo G20?, realizada pela Oxfam - entidade de combate à pobreza e a injustiça social presente em 92 países -, apenas a África do Sul fica atrás do Brasil em termos de desigualdade.
Como base de comparação, a pesquisa também examina a participação na renda nacional dos 10% mais pobres da população de outro subgrupo de 12 países, de acordo com dados do Banco Mundial. Neste quesito, o Brasil apresenta o pior desempenho de todos, com a África do Sul logo acima.
brasil e africaA pesquisa afirma que os países mais desiguais do G20 são economias emergentes. Além de Brasil e África do Sul, México, Rússia, Argentina, China e Turquia têm os piores resultados.
Já as nações com maior igualdade, segundo a Oxfam, são economias desenvolvidas com uma renda maior, como França (país com melhor resultado geral), Alemanha, Canadá, Itália e Austrália.
Avanços
Mesmo estando nas últimas colocações, o Brasil é mencionado pela pesquisa como um dos países onde o combate à pobreza foi mais eficaz nos últimos anos.
O estudo cita dados que apontam a saída de 12 milhões de brasileiros da pobreza absoluta entre 1999 e 2009, além da queda da desigualdade medida pelo coeficiente de Gini, baixando de 0,52 para 0,47 no mesmo período (o coeficiente vai de zero, que significa o mínimo de desigualdade, a um, que é o máximo).

Negros buscam mais poder no Rio via eleições 2012


negros nas eleicoes
NÚCLEO AFRO DO PMDB QUER QUE 30% DA CHAPA DE 400 CANDIDATOS A VEREADOR DA AGREMIAÇÃO NO ESTADO SEJAM DE NEGROS; COLETIVO DE COMBATE AO RACISMO, DO PT, APROVA COTA RACIAL DE 20% NAS DIREÇÕES DO PARTIDO; UNEGRO, DO PCDOB, DEFENDE SECRETARIA DE COMBATE AO RACISMO DENTRO DO COMITÊ CENTRAL

 por Marco Damiani 
Cada um ao seu modo, os negros que militam em partidos políticos estão de olho nas eleições municipais de outubro para conquistar mais poder – dentro e fora de suas agremiações. Eles se recusam a aceitar a conta que aponta mais de 60% da população fluminense como negra ou parda, contra não mais que 2% de negros declarados como vereadores na cidade do Rio – um desequilíbrio que se repete na maioria dos municípios do Estado.
No PMDB do Rio, um plano ousado está em curso. Com a professora Mara Ribeiro à frente, o Núcleo Afro do partido, fundado em 2006, está às portas da realização de cinco seminários em todo o Estado nos quais pretende somar força para conquistar até 30% das vagas de candidatos a vereador pela legenda para militantes que se declarem negros. Estima-se que o PMDB lance 400 candidatos a vereador em todo o Estado. "União e força é igual a empoderamento, essa é a nossa palavra de ordem", diz Mara. "Enquanto o povo negro não assumir efetivamente o poder, nossa raça sempre estará subrepresentada".

Amorim terá de pagar R$ 30 mil a Paulo Preto


paulo-henrique-amorim
O jornalista Paulo Henrique Amorim foi condenado a pagar R$ 30 mil a Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, por chamá-lo em seu blog Conversa Afiada de "Paulo Afro-descendente" e por divulgar o endereço em que mora, em São Paulo. A sentença, do dia 9 de janeiro, é assinada pelo juiz Daniel Luiz Maia Santos, da 4ª Vara Cível de São Paulo, que classificou o trocadilho com o nome de Souza como "atitude discriminatória".

Em outubro de 2010, o ex-diretor de Engenharia de Desenvolvimento Rodoviário S.A. (Dersa) entrou com ação cobrando indenização de Amorim, após este ter publicado foto do prédio em que Souza mora, com endereço. Após descrever o local, Amorim escreve que "lá, apesar de seu salário de funcionário público do governo de São Paulo, de não ser herdeiro de nenhuma fortuna e nem ser tido como um homem rico, vive o engenheiro Paulo Vieira de Souza, o 'Paulo Preto', ou o Paulo 'Afro-descendente'".

Suspeito de expulsar menino de pizzaria na zona sul de São Paulo é indiciado


Foi indiciado hoje o suspeito de expulsar um menino de seis anos nascido na Etiópia da pizzaria Nonno Paolo, no Paraíso, zona sul de São Paulo. A criança teria sido confundida com um morador de rua em dezembro do ano passado.
O menino é filho adotivo de um casal de espanhóis que estava em férias no Brasil. O casal denunciou o restaurante e um inquérito policial foi instaurado para apurar o caso de preconceito racial.
Em janeiro, o local foi parcialmente interditado por armazenar 100 kg de comida com o prazo de validade vencido e de forma inadequada. A blitz organizada pela Polícia Civil e a Coordenadoria de Vigilância em Saúde (Covisa) recolheu os produtos que incluíam frango, bacon e carne.
Segundo a Secretaria Municipal da Saúde, baratas e outros insetos foram encontrados no salão e os agentes da Covisa confirmaram condições de higiene inadequadas no local. A dona do estabelecimento foi presa, mas pagou fiança de R$ 6.200 e foi liberada. Na delegacia, ela disse que não tinha conhecimento de como era guardada a comida
luta-marcial1África- origem das lutas marciais – a arte do combate em Kush- Núbia o atual Sudâo
Por Malachiyah Ben Ysrayl. Historiador e Hebreu-Israelita
Milhões de africanos na África e nas Américas praticam diversas modalidades de artes marciais, como a luta livre, jiu-jutsi, kung-fu, judô, karatê, Tae Kwon Do, hapkido, aikido, boxe, luta Greco-romana, capoeira, ninjutsi, e outros estilos.

Os lutadores pretos possuem um número incontável de fãs e nomes marcaram a história do boxe, a exemplo de Mohamed Ali, Mike Tison, Holyfield, George Foreman, entre outros. Atualmente um lutador brasileiro tem levantado as platéias pelo seu estilo e conclusão nos combates do MMA: Anderson Silva.
Se perguntarmos a um jovem preto sobre a origem das lutas marciais, imediatamente ele reportará aos países asiáticos, especialmente a China, Japão e a Coreia. E citará a capoeira como uma luta de origem afro-brasileira.
A maioria dos jovens pretos concordará com estas respostas porque assim aprendeu nos livros didáticos, nas revistas de esportes e nas academias. Inclusive terá como referência histórica as lutas gregas como a matriz, o início no planeta da arte das técnicas de combate. Fato corroborado sempre nos jogos olímpicos que tentam perpetuar o equivoco histórico e lamentavelmente milhões de africanos acreditam nesta falácia.
Como a origem da vida e a civilização se deram no continente africano, todas as ciências lá também surgiram, dentre elas a medicina, filosofia, matemática, astronomia e muitas outras.

Lei Maria da Penha: Atendimento a mulheres vítimas de violência melhorou e número de denúncias cresceu

maria da penha dadosVisitas de parlamentares a quatro estados mostram que atendimento a mulheres vítimas de violência melhorou e número de denúncias cresceu. Deputadas querem agora medidas para viabilizar a integração de ações já em andamento.
 Pouco mais de cinco anos após entrar em vigor, a Lei Maria da Penha (11.340/06) já é responsável por avanços no combate à violência contra a mulher. Em visitas a estados brasileiros, parlamentares participantes do projeto Mutirão da Penha, que investiga a aplicação da lei, confirmam que o atendimento às vítimas melhorou e a consciência das mulheres sobre seus direitos e a coragem de denunciar têm se consolidado.
Dados da Secretaria de Políticas para as Mulheres mostram que o número de atendimentos cresceu desde a entrada em vigor da lei. Em 2007, quando o sistema foi adaptado para receber informações sobre a Lei Maria da Penha, a Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180) registrou 438.587 atendimentos. Entre janeiro e outubro do ano passado (últimos dados disponíveis), o sistema já havia recebido 530.542 ligações.
O número de serviços especializados no atendimento à mulher, como delegacias e juizados, também aumentou. No ano passado, o País tinha 928 serviços, contra os 521 existentes em 2006 - um crescimento de 78,1%.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Polícia e racismo na USP


violencia policial ass
Vitor Hugo Soares

Mesmo no Alabama da abominável Ku Klux Klan, nos piores tempos do racismo no século passado e início do atual nos Estados Unidos, imagino que as imagens reveladoras de racismo explícito envolvendo a atuação de policiais da PM paulista, esta semana, na repressão de estudantes no campus da USP - a mais importante universidade pública do País - teriam causado pelo menos duas consequências imediatas: mais incisiva reação factual e opinativa dos meios de comunicação (a chamada grande imprensa em especial) e mais forte e necessária indignação da sociedade.
O pior é que o silêncio ocorre não por falta de informação e provas, como poderiam alegar alguns veículos de imprensa, mas por pura apatia ou inércia. Em alguns casos, infelizmente, por cumplicidade e boa dose de aprovação mesmo do truculento comportamento policial.
Afinal, este episódio de boçalidade e revoltante abuso de autoridade foi fartamente documentado em vídeo dos mais acessados esta semana na Internet no Brasil e em inúmeros países democráticos. Neste último caso, com os inexoráveis arranhões para a "imagem modelar de democracia racial" que o turismo e os governantes gostam de vender lá fora, principalmente em festas de Ano Novo ou tempo de Carnaval.

Deputado quer criar cotas para parlamentares negros


luiz alberto
Proposta de Luiz Alberto leva em consideração dados apurados pelo IBGE no último Censo

A Câmara analisa a PEC (proposta de emenda constitucional) 116/11, do deputado Luiz Alberto (PT-BA), que prevê a reserva de vagas na Câmara, nas assembleias legislativas e na Câmara Legislativa do Distrito Federal para parlamentares negros por cinco legislaturas.
Segundo a proposta, o número de vagas será definido com base no percentual de pessoas que tenham se declarado negras ou pardas no último censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Esse número não poderá ser menor que 1/5 do total das vagas no parlamento ou maior que a metade das vagas.
A proposta prevê ainda a prorrogação da reserva por mais cinco legislaturas, por intermédio de uma lei complementar. Segundo Luiz Alberto, hoje, a Câmara tem cerca de 30 deputados. Com a medida, diz ele, esse número aumentaria para 150.
Evidentemente que os partidos teriam interesse em disputar essas vagas. Não tenho nenhuma ilusão de que é fácil aprovar essa proposta, mas queremos fazer o debate público, com os movimentos sociais, com a sociedade, para que isso repercuta no Parlamento e possamos aprovar essa PEC.
Antes de ir a debate, a proposta precisa ser aceita pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara.
Em seguida, uma comissão especial será criada para avaliar o texto, que depois deverá ser votado em dois turnos na Câmara e no Senado.

 Fonte: R7

'A Teoria e as Questões Políticas da Diáspora Africana nas Américas'


LogoCriola
Seleção 2012 para o VI Curso de Atualização: "A Teoria e as Questões Políticas da Diáspora Africana nas Américas"

Criola, através do Programa MultiVersidade Criola , um espaço de formação feminista e anti-racista para mulheres negras, o Programa de Estudos e Debates dos Povos Africanos e Afro-americanos (PROAFRO) do Centro de Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, em parceria com a Universidade do Texas em Austin, através do Centro de Estudos Africanos e Afro-americanos (CAAAS), do Departamento de Estudos da África e da Diáspora Africana, e do Instituto de Estudos Latino Americanos Teresa Lozano Long (LILLAS), torna público a abertura de inscrições para selecionar alunas e alunos para o VI Curso de Atualização em Estudos da Diáspora Africana.
O curso oferece 20 vagas. E será realizado nas dependências da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), às segundas e quartas-feiras, de 13h às 18h, no período de 18/06 a 27/07 de 2012, com carga horária total de 60h. Será considerada aprovada a aluna e o aluno que atender aos critérios de avaliação do curso: 1) freqüência de até 75% do total de horas do curso, 2) apresentar resumo e perguntas para debate em pelo menos 2 aulas, 3) entrega de um paper acadêmico ao final do curso, de 15 à 20 páginas, baseado em trabalho etnográfico, de arquivo ou de caráter sociológico, com foco no Brasil

A fábula das três raças ou o problema do racismo à brasileira - Roberto Da Matta


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Alguns trechos para reflexão:
O racismo contido na "fábula das três raças", que floresceu do final do século até hoje, tanto no campo erudito como no popular decorre da dificuldade de se pensar o Brasil e nossa hierarquia social.
Há uma "ideologia abrangente" permeando todas as camadas e espaços sociais: "preguiça do índio", "melancolia do negro", a "cupidez" e "estupidez", do branco lusitano, responsáveis, nessa visão popular, pelo nosso atraso econômico e social, indigência cultural e a nossa necessidade de autoritarismo político, fator corretivo básico neste universo social que, entregue a si mesmo, só poderia degenerar. Assim, é o caso de perguntar se o racismo do famoso Conde de Gobineau está realmente morto!
É uma faceta da história do Brasil vista pelo seu prisma mais reacionário: como uma história de "raças", não de homens.
O conhecimento social assim, se reduz a algo "natural", como "raças", "miscigenação" e traços biológicos de raças.
 A fábula das três raças junta as 2 pontas da nossa cultura: o popular e o elaborado. Os três elementos: o branco, o negro e o indígena, claro que foram importantes na nossa história, mas há uma diferença entre a presença empírica dos elementos e seu uso como recurso ideológico na construção da identidade social brasileira.

Raça, Cultura e Classe no Brasil - Sueli Carneiro


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por Sueli Carneiro
"Não sou, nem nunca fui favorável a algo que pudesse provocar, de qualquer forma, a igualdade social e política entre as raças branca e a negra; não sou, nem nunca fui favorável à transformação de negros em eleitores ou jurados, ou à sua aceitação para cargos públicos... A isso acrescentarei que existe uma diferença física entre a raça negra e a branca que, segundo creio, para sempre impedirá que as duas raças vivam em condições de igualdade social e política. E, na medida em que isso não pode ocorrer, enquanto permanecerem juntas, deve haver uma posição de superior e inferior e tanto quanto qualquer homem, prefiro que a posição superior seja atribuída à raça branca" (Abraham Lincoln, presidente dos EUA, 1894)1"


Diferentemente de Abraham Lincoln, o sociólogo Gilberto Freire, inventor do mito da democracia racial brasileira, estabeleceu os parâmetros segundo os quais a sociedade brasileira deveria regular as suas relações raciais.
Diz Gilberto Freire: "Devemos nos considerar uma gente que goza de extraordinária paz e harmonia racial. Contraste com aquelas partes do mundo em que ódios raciais existem sob formas, por vezes, as mais violentas, as mais cruas" (Gilberto Freire, pai da sociologia brasileira, 1979).2

Juíza Luislinda Valois eleita desembargadora do TJ-BA


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Em sessão ordinária realizada nesta terça-feira (6), em Brasília, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou que a juíza baiana Luislinda Valois fosse promovida ao cargo de desembargadora do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA). O CNJ utilizou como argumento principal o critério de antiguidade para a concessão da promoção. O relator do caso, Jorge Hélio Chaves de Oliveira, e todos os demais conselheiros decidiram de forma unânime em prol do requerimento.
"É o reconhecimento da luta de uma mulher negra, rastafári, que conseguiu sair vitoriosa deste processo. É uma conquista para o povo negro da Bahia", afirmou Luislinda, primeira juíza negra do Brasil. Desde agosto de 2010, ela ocupava o cargo de desembargadora substituta no TJ. Com a proximidade da aposentadoria compulsória, a nomeação de Valois como desembargadora titular poderia não ocorrer.
De acordo com a juíza, que acompanhou toda a audiência, o Tribunal deverá agora organizar a data da posse e a cerimônia oficial.
Sobre Valois
Valois foi a primeira juíza negra a proferir uma sentença contra o racismo no Brasil. Ela trabalhou no interior baiano até ser promovida para Salvador, em 1993. A juíza foi a responsável por reativar dezenas de Juizados Especiais em municípios da Bahia e criou e instalou a Justiça Itinerante e o Juizado Itinerante Marítimo.
Fonte: Correio da Bahia

As políticas públicas e a desigualdade racial no Brasil 120 anos após a abolição - Mário Theodoro (Org.)


livro
Mário Theodoro (Org.) - IPEA -
PREFÁCIO .............................................................................................................. 09
INTRODUÇÃO ......................................................................................................... 11
Capítulo 1 - A FORMAÇÃO DO MERCADO DE TRABALHO E A QUESTÃO
RACIAL NO BRASIL
MÁRIO THEODORO ................................................................................................15
Capítulo 2 - RACISMO E REPÚBLICA: O DEBATE SOBRE O
BRANQUEAMENTO E A DISCRIMINAÇÃO RACIAL NO BRASIL
LUCIANA JACCOUD ................................................................................................ 45
Capítulo 3 - DESIGUALDADE RACIAL E MOBILIDADE SOCIAL NO BRASIL:
UM BALANÇO DAS TEORIAS
RAFAEL GUERREIRO OSORIO ................................................................................ 65
Capítulo 4 - A DEMOGRAFIA DA COR: A COMPOSIÇÃO DA POPULAÇÃO
BRASILEIRA DE 1890 A 2007
SERGEI SOARES .................................................................................................... 97
Capítulo 5 - A TRAJETÓRIA DA DESIGUALDADE: A EVOLUÇÃO DA RENDA
RELATIVA DOS NEGROS NO BRASIL
SERGEI SOARES ................................................................................................... 119
Capítulo 6 - O COMBATE AO RACISMO E À DESIGUALDADE: O DESAFIO DAS
POLÍTICAS PÚBLICAS DE PROMOÇÃO DA IGUALDADE RACIAL
LUCIANA JACCOUD ............................................................................................... 131
Capítulo 7 - À GUISA DE CONCLUSÃO: O DIFÍCIL DEBATE DA QUESTÃO
RACIAL E DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE COMBATE À DESIGUALDADE E À
DISCRIMINAÇÃO RACIAL NO BRASIL
MÁRIO THEODORO ..............................................................................................167

Movimento Negro


Movimento Negro (ou MN) é o nome genérico dado ao conjunto dos diversos movimentos sociais afro-brasileiros, particularmente aqueles surgidos a partir da redemocratização pós-Segunda Guerra Mundial, no Rio de Janeiro e São Paulo.
 Histórico
Movimentos sociais expressivos envolvendo grupos negros perpassam toda a História do Brasil. Contudo, até a Abolição da Escravatura em 1888, estes movimentos eram quase sempre clandestinos e de caráter radical, posto que seu principal objetivo era a libertação dos negros cativos. Visto que os escravos eram tratados como propriedade privada, fugas e insurreições, além de causarem prejuízos econômicos, ameaçavam a ordem vigente e tornavam-se objeto de violenta repressão não somente por parte dos classe senhorial, mas do próprio Estado e seus agentes.
 Resistência negra pré-Abolição
Quilombos, quilombolas, quilombagem
zumbidospalmares
A principal forma de exteriorização dos movimentos negros rebeldes contra a escravização, nos cerca de quatro séculos em que a mesma perdurou no país (1549?-1888), foi a quilombagem. Na definição de Moura (1989: p. 22):
{xtypo_quote} Entendemos por quilombagem o movimento de rebeldia permanente organizado e dirigido pelos próprios escravos que se verificou durante o escravismo brasileiro em todo o território nacional. Movimento de mudança social provocado, ele foi uma força de desgaste significativa ao sistema escravista, solapou as suas bases em diversos níveis - econômico, social e militar - e influiu poderosamente para que esse tipo de trabalho entrasse em crise e fosse substituído pelo trabalho livre.{/xtypo_quote}

Racismo à Brasileira - Roberto Da Matta


roberto_da_matta
"MULRTICULTURALISMO E RACISMO: O PAPEL DA AÇAO AFIRMATIVA NOS
ESTADOS DEMOCRATICOS COMTEMPORANEOS"
 Por Roberto Da Matta
NOTAS SOBRE O RACISMO À BRASILEIRA
Esta minha intervenção tem dois aspectos ou dimensões. De um lado, quero falar de fatos sociais concretos - alguns,aliás ,bem conhecidos do nosso racismo-, como sua manifestação implícita, disfarçada e de difícil discussão, como se, entre nós, brasileiros, falar de racismo fosse um tabu, de acordo com aquela tendência que Florestan Fernandes chamou, com propriedade,"o preconceito de ter preconceito". De outro, quero me concentrar nas inter-relações dos fatos sociais com os ideais políticos, alvo que - se bem entendo - move este encontro e tem suas dificuldade específicas, sobretudo quando se trata de um tema tão dramático quanto pungente, quando a justa vontade de erradicar o preconceito certamente embaça a discussão de suas características históricas e de sua organização sociológica ou cultural.

Restaurante Nonno Paolo que colocou menino negro na rua tinha 80kg de comida vencida


nonno paolo alimento vencido
A Polícia Civil apreendeu 80 kg de alimentos vencidos em um restaurante da rua Abílio Soares, no bairro do Paraíso, zona sul de São Paulo. Segundo o Departamento de Proteção à Cidadania (DPPC), o proprietário e o cozinheiro aguardam inspeção e podem ser presos. A polícia informou que o estabelecimento é o Nonno Paolo, o mesmo no qual um menino negro de seis anos teria sido expulso.

Procurado por telefone, um funcionário do restaurante disse que a gerência do restaurante estava na delegacia registrando o ocorrido. O restaurante não pode receber clientes e está sendo inspecionado pela vigilância sanitária municipal.
Segundo o delegado titular da 2a delegacia de Saúde, Virgílio Guerreiro, o restaurante afirmou que os alimentos estavam separados e seriam descartados. "É a mesma desculpa de sempre", disse Guerreiro.
Especializado em comida italiana, o restaurante Nonno Paolo acusado de raciscmo após um espisódio que foi muito comentado nas redes sociais desde o começo do ano. No dia 30 de dezembro, um menino espanhol de origem etíope teria sido retirado do lugar por um funcionário após ser confundido com um menino de rua.
Fonte: Terra

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

O sonho do meu pai não se realizou, diz filho de Martin Luther King

No seu famoso discurso "Eu tenho um sonho", proclamado em 1963 em Washington DC, Martin Luther King Jr. imaginou um dia em que todos os americanos seriam iguais. Mas segundo o seu filho mais velho, este dia ainda não chegou. Martin Luther King III, que herdou o nome e o legado do seu pai, conversou com o Terra em meio às comemoracoes do aniversario de King, que faria 83 anos no dia 15 de janeiro.
Segundo ele, se seu pai estivesse vivo, estaria descontente com o atual momento politico nos Estados Unidos e ainda lutando por um país mais igualitário. "O sonho do meu pai ainda nao se realizou. Temos um longo caminho a percorrer. As decisões continuam sendo tomadas para beneficiar o 1% de ricos da população", lamentou.
Como exemplo, citou os projetos de lei que pretendem restringir os direitos de voto nas eleições presidenciais de novembro. As iniciativas incluem a obrigatoriedade da apresentação da carteira de motorista no dia de votação, o que limitaria a participação de negros e latinos. "Todos deveriam ter o direito de votar. Foi para isso que meu pai lutou", disse, se referindo a Lei dos Direitos de Voto, conquistada por King em 1965.

Especialistas orientam pais sobre como abordar o preconceito com os filhos

Um garoto negro, de 6 anos de idade, é retirado à força de um restaurante de São Paulo após ser supostamente confundido com um menino de rua. A cena descreve uma situação recente, ainda sob investigação, e ilustra uma realidade alarmante em um país em que a diversidade – social, étnico-racial, de gêneros, territorial, entre outras – ainda não é compreendida como algo positivo para a sociedade.
Em 2009, uma pesquisa sobre preconceito e discriminação foi realizada pela FIPE (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) em 501 escolas públicas de 27 estados brasileiros. O estudo, que envolveu alunos, professores e pais, revelou que 99,9% dos entrevistados preferem manter distância de algum grupo social específico. 96,5% dos entrevistados expressaram preconceito com relação a portadores de necessidades especiais, 94,2% têm preconceito étnico-racial, 93,5% de gênero, 87,5% socioeconômico e 87,3% com relação à orientação sexual..
Para a pedagoga Lucimar Rosa Dias, doutora em diversidade étnico-racial e infância e consultora do CEERT – Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdade, os dados são indicadores claros de que o combate a esse quadro depende também de uma ligação sadia entre escola e família. "Não dá para esperar uma sociedade sem preconceito se não há compromisso com isso", diz. "Educar para a diversidade não tem dia, nem hora. É essencial conversar, mostrar, dizer o que está errado. E nunca subestimar a capacidade de compreensão da criança", completa.