TIRE O SEU RACISMO DO CAMINHO QUE EU QUERO PASSAR COM A MINHA COR. Georges Najjar Jr

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

AFROBRASILEIROS E SUAS LUTAS - Rodrigues Alves rebatia o racismo na porrada


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Nos anos 80 troquei várias cartas (e dele recebi livro). Falo do saudoso líder negro Sebastião Rodrigues Alves, colega de juventude de Abdias do Nascimento, falecido quase centenário, há pouco tempo. Nos anos 30, em São Paulo, Abdias e Rodrigues Alves (como gostava de ser chamado, jamais de Bastião, uma forma de discriminação, achava ele) não levavam desaforo de branco racista para casa. Respondiam com golpes de capoeira. Certa feita, bateram num delegado que dera razão a um racista que os desacatara. Dele me aproximei, creio que por informação do amigo Alaor Eduardo Scisínio, que depois escreveria o "Dicionário da Escravidão", único no mundo. Scisínio foi um dos apresentadores de seu modesto livro "Os Dez Brasis", que chegou à 6ª edição. Com Rodrigues Alves aprendi que não poderia conhecer o nosso povo de origem afro se não estudasse os cultos afro-brasileiros. Mandou-me livros e bibliografia. Certa feita, em visita a seu fraternal amigo Abdias do Nascimento, em Buffalo, nos Estados Unidos, mandou-me livros sobre o negro nos Estados Unidos. Contei lhe que na minha meninice passava a metade do dia sob cuidados de Maria de Bastiãozinho, uma negra prendada, que morreu nonagenária e daí minha profunda simpatia pela raça negra, de tantos serviços prestados ao Brasil.

Quando andei pelo Amapá, pela segunda vez, num pequeno grupo na ANA (Associação dos Negros do Amapá), no Laguinho, acompanhado pelo piloto do Bandeirantes do Governo do estado, meu amigo Vandeler do Nascimento, falei sobre a obra de Eduardo Scisínio e de Sebastião Rodrigues Alves. Por pouco, no 13 de maio, não recitei A Dança, de Martins Fontes, na ANA. Através de Rodrigues Alves conheci o belo poema de Áttila Nunes sobre o candomblé: "Ma Lime Pra Janaina", que certamente agradaria a Mário de Andrade e a Martins Fontes.
Rodrigues Alves falou-me, certa feita, sobre o negro no Brasil. Leiamos: Há segregação e racismo no Brasil? Fale sobre isso. (Consciência da Segregação do Negro?)
"O Branco, inconscientemente, outros conscientes, manipulam o negro e fomentam a discórdia, entre os próprios negros, para assim continuarem dominando, uma técnica antiga, que até hoje ainda dá bons resultados para os brancos. Com o artifício de que o negro está criando um "quisto racial", para separar o negro do branco, que tem "todos os direitos" iguais aos brancos, assegurados na Constituição. Que ironia, eles nos segregam e nós é que estamos criando racismos. Cínicos demais!... Com as lutas travadas, os negros estão se conscientizando da sua situação.
Onde estão os ministros negros, os generais, os almirantes (a não ser o nosso negro almirante João Cândido). Onde estão os brigadeiros, os diplomatas num país de 70% de negros, mulatinhos, moreninhos?
Umbanda - Parece-me uma religião formada no Brasil, por uma seleção de valores doutrinários e rituais, eclodida da fusão dos cultos africanos acrescidos da pajelança.
Quimbanda - É um dos exercícios da atividade de umbanda, usando certos e determinados elementos. Há quem afirma que realiza, nos seus trabalhos, a magia negra.
Fale das divindades!
Iaô - Primeira iniciação, banho ritual de sangue animal que é derramado sobre a cabeça da iniciada.
Alufá - Nome que se dava às grandes divindades sacerdotais, quase extinta.
Orixás - Divindades intermediárias iorubanas. Na umbanda só oito. Os orixás são intermediários entre seu representante. No Brasil, os orixás foram sincretizados com os santos católicos, sendo também chamados santos.
Babalorixá - Chefe masculino de terreiro, sacerdote, que dirige as cerimônias, rituais da umbanda, são quase sempre popularmente chamados pai-de-santo."
Rodrigues Alves teve seu livro "A Ecologia do Grupo Afro-brasileiro Ante o Serviço Social" prefaciado pelo célebre Roger Bastide. Em 1984, pouco antes de morrer, mandou-me seu livro "Sincretismo religioso". Estavam, então, no prelo três livros: " Canto à Amada", "País dos Raulinos" e "20 Negros ilustres anônimos". Vou escrever à dona Patrícia, viúva de Rodrigues Alves, para saber que destino deu a esses originais. Talvez o Ipeafro tenha interesse em publicá-los.

QUILOMBOS E QUILOMBOLAS - Incra garante posse da terra a quilombo paulista

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Por: GRASIELLE CASTRO
O termo de concessão de uso foi o primeiro assinado entre o poder público e uma comunidade de descendentes de escravos fugidos. Acordo dá esperança para outros quilombolas garantirem a propriedade das terras que ocupam, um direito previsto na ConstituiçãoNotíciaGráfico
Na lista de espera pela regularização das terras que ocupam, cerca de 1,1 mil comunidades quilombolas poderão contar com mais agilidade nesse processo. Pela primeira vez, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) assinou um termo de concessão de uso de terras para um grupo de remanescentes de quilombos, localizado em São Paulo. O termo representa um avanço no trâmite do processo que, embora não garanta os papéis definitivos de posse, concede aos quilombolas o direito a usufruir da terra. A expectativa é que a medida seja adotada para os demais casos. Apesar do avanço, o Incra ressalta que os processos esbarram na falta de pessoal qualificado para análise da concessão do documento.
Os primeiros a receber esse título são os moradores do Cafundó, em Salto de Pirapora (SP), 150 quilômetros de São Paulo. Com o termo assinado, eles podem implantar atividades econômicas, como comércio e exploração de minério, nos mais de 220 hectares que ocupam.
A vitória do Quilombo Cafundó aumentou a esperança de outras comunidades que esperam há anos a regularização fundiária das terras que ocupam. Sandra Pereira Braga, líder da comunidaquilombola Mesquita, localizada entre a Cidade Ocidental e Luziânia, em Goiás, ressalta que poder fazer uso da terra é o grande desejo dos quilombolas para ter uma vida melhor. O grupo que ela faz parte está na lista para receber o título da terra ou, preliminarmente, o termo de concessão do uso.
"Precisamos da terra para trabalhar. Poderíamos fazer disso um pequeno negócio e ganhar com o nosso esforço, mas, por enquanto, ficamos só na espera", lamenta Sandra. Para ela, receber esse documento significa o resgate da cultura local. "Nossa história, nossa valorização, é essa terra. A partir do momento que recebermos o título, tudo muda".
A luta dessas comunidades é para que o direito à propriedade da área que ocupam, previsto na Constituição Brasileira, seja garantido com mais rapidez. "A gente sabe que a terra é nossa, mas a formalização é um processo muito cansativo e desanimador", disse a líder goiana. No caso do Cafundó, a comunidade paulista aguardava pela titulação desde 1972. O direito a apenas 21 hectares foi reconhecido em 1976, mas só em 2006 veio o reconhecimento dos 220 hectares, que representam a área total do quilombo. No Mesquita, onde vivem 785 famílias, são quase 5 mil hectares em disputa. O decreto de demarcação da área foi publicado há um ano, mas, segundo Sandra, a terra é ocupada pelos descendentes de escravos há mais de 300 anos.
Outro entrave enfrentado pelas comunidades quilombolas que aguardam a titulação definitiva da terra é a retirada de posseiros que não tem relação com os antigos quilombos. A secretária de Comunidades Tradicionais da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Sylvany Euclênio, explica que esse processo é demorado porque depende do pagamento de indenização a essas famílias para que possam ser transferidas para outro local. Essa, porém, é umas das últimas etapas do processo de regularização fundiária. Silvany explica que, inicialmente, é feita a identificação e a delimitação do território. Em seguida, é preciso, por meio de um estudo antropológico, comprovar se o grupo é remanescente de quilombos. Ela explica que a elaboração desse relatório exige tempo e, posteriormente, é aberto prazo de 90 dias para contestações. Depois, é feito o decreto de reconhecimento da terra, que vai para presidência, onde é aberta uma consulta a alguns ministérios para ver se há algum impedimento na área. Depois de publicado o decreto, inicia-se a etapa de indenização das pessoas não quilombolas que vivem na terra reconhecida. "O processo é naturalmente longo e criteriosos", avaliou a secretária.
Para minimizar essa espera, Sylvany adianta que o órgão está trabalhando para dar celeridade a esses casos, participando de uma força tarefa com o Incra, a Secretaria de Patrimônio da União, o Ministério do Desenvolvimento Agrário e a Fundação Cultural Palmares. "Estamos discutindo como acelerar esse trâmite. Isso precisa ser pensado por causa da demanda".
Falta gente capacitada
A espera de 40 anos do quilombo Cafundó para receber a concessão de uso da terra, um passo antes da escritura definitiva, não se deve apenas às muitas etapad do processo. A falta de pessoal capacitado ajuda a atrasar a expedição dos títulos de propriedade. A secretária de Comunidades Tradicionais da Seppir, Sylvany Euclênio, reconhece que há um passivo grande sob a responsabilidade do Incra.
O instituto, na avaliação dela, já tem uma grande demanda na área de assentamentos rurais e reforma agrária. Ela defende a restruturação do Incra para que o órgão tenha mais condições de cobrir a questão quilombola. O próprio Incra confirmou que a dificuldade para agilizar esse tipo de processo é a falta de pessoal. Entretanto, a instituição está com uma licitação em andamento para contratar empresas especializadas na elaboração de relatórios antropológicos.
Apesar de não ter a quantidade necessária de funcionários, o órgão diz que está fazendo o possível para dar celeridade às demandas. Estimativa do instituto indica que na fila da regulamentação fundiária existem 300 processos prioritário. Desses, 150 dependem de relatório técnico, que será feito pela equipe que ganhar a licitação, e 150 estão passando por um refinamento interno de avaliação dos requisitos que a lei exige para assegurar a legalização da terra.
O direito à propriedade da terra foi assegurada aos remanescentes de quilombos na Constituição de 1988, mas a regulamentação veio com o decreto 4.887, editado quinze anos depois. Em 2004 foi criado o Programa Brasil Quilombola, para atender a essas comunidades. O programa foi abraçado como prioridade pela presidente Dilma Rousseff.
Pobreza extrema
Os quilombolas são grupos étnico-raciais que se assumem como descendentes de negros fugidos da escravidão, organizados em comunidades livres denominadas quilombos. Um diagnóstico recente da Seppir mostrou que mais de 70% das comunidades quilombolas são extremamente pobres, sem acesso a serviços básicos de saneamento, saúde, educação e transporte.

O GOVERNO OBAMA - Com abraços, Michelle Obama quer conquistar eleitores indecisos

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Por: CARLA RUAS
 Michelle Obama tem uma estratégia para desequilibrar a acirrada eleição presidencial dos Estados Unidos: distribuir muitos abraços. E com eles mostrar que a família presidencial é acessível e que o presidente Barack Obama é um americano normal como qualquer outro. A ideia é amenizar as críticas surgidas durante a campanha de que o presidente estaria distante da realidade do público.
Com uma aprovação maior do que Barak Obama - 66% contra 45% - Michelle Obama pode ser fundamental para ajudar o presidente a conquistar os eleitores indecisos e motivar sua base para votar no dia 6 de novembro. E ao fazer isso, poderá desempatar a disputa entre Barack Obama e o republicano Mitt Romney. Até agora, de acordo com pesquisa do Instituto Gallup (22/08), os candidatos tem exatamente 46% de intenções de voto cada um.
Por isso a primeira-dama vem ganhando cada vez mais espaço na campanha eleitoral (veja fotos da atuação de Michelle). Nos Jogos Olímpicos de Londres, abraçou o time inteiro de basquete masculino americano e se deixou ser fotografada nos braços da levantadora de peso Elena Pirozhkova. E desde que voltou aos Estados Unidos, participa de programas de TV e encara filas de centenas de pessoas ansiosas para conhecê-la, em Estados como Iowa e Wisconsin.
Para Lisa Burns, especialista em primeiras-damas e professora de Comunicação na Universidade Quinnipiac, nos Estados Unidos, Michelle Obama quer provar ao publico que Barack Obama é acessível e próximo do seu eleitorado. "Quando você vê ela abraçando um time inteiro de basquete, dá vontade de ser sua amiga e você se identifica com ela. E isso ajuda muito quando olhamos para o seu marido e pensamos talvez ele realmente entenda como é ser uma pessoa comum porque olha como sua mulher tem os pés no chão".
O seu público-alvo tem sido principalmente as mulheres, para quem a primeira-dama enfatiza que sua família não é tão diferente de uma família típica americana. Afinal de contas, eles têm duas filhas e querem o melhor para o futuro delas quando se trata de crise econômica e educação. "Ela conta como seu marido se preocupa à noite sobre que tipo de futuro suas filhas vão herdar. Assim ele parece mais acessível, mais humano e como todos nós", diz a especialista.
Esta estratégia já deu certo em 2008, quando Michelle Obama comentava como juntava as meias sujas espalhadas pelo marido em casa. "A ideia naquela época era mostrar que ele não era tão perfeito como aparecia na mídia, porque essa era uma das críticas com relação a ele. E ela conseguiu trazer ele para baixo desse pedestal, dessa imagem de rock star", diz.
Os passos de Laura Bush
Os passos de Michelle Obama nesta campanha eleitoral se assemelham ao de Laura Bush na campanha de George W. Bush em 2004. "Assim como Laura Bush, ela também enfrenta uma campanha de reeleição em que os números de popularidade do seu marido vem diminuindo", lembra Lisa Burns, que escreveu o livro Primeiras-damas e o quarto poder: O enquadramento das esposas presidenciais pela mídia.
Laura Bush foi a ex-primeira dama mais popular da história dos Estados Unidos, tendo alcançado 73% de aprovação. E sua popularidade também foi muito usada na campanha eleitoral para divulgar as coisas positivas que o presidente havia feito. "Há muitas semelhanças entre as duas. Eu diria até que Michelle Obama tirou uma página do manual de Laura Bush em como ser uma primeira-dama", afirma.
No entanto, há especulações na mídia norte-americana de que Michelle Obama poderia seguir os passos de outra ex-primeira-dama, Hillary Clinton, que usou sua popularidade para concorrer ao senado. Mas ela já negou ter interesse em seguir este caminho. "Acho que é mais provável que Michelle Obama faça política nos bastidores, como ela fazia antes de Barack Obama ser eleito, através de alguma organização, não necessariamente no governo", conclui.

 Fonte: Terra

ÁFRICA E SUAS LUTAS - Milhares de acusadas de bruxaria vivem em campos isolados em Gana

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Por: Katie Whitaker
 Em Gana e em outros países africanos, quando desastres atingem vilarejos, a busca por explicações acaba levando a bodes expiatórios – as chamadas bruxas.
Mulheres excêntricas ou extrovertidas – muitas vezes idosas – costumam ser os alvos mais fáceis, e os casos normalmente terminam com a expulsão da "culpada".
Atualmente, existem seis campos de bruxas espalhados por Gana, com até mil mulheres em cada um deles.
Neles, mulheres exiladas de seus povoados podem viver sem medo de espancamentos, tortura ou até linchamento.
Isto é, se forem consideradas inocentes ou passarem por um ritual de purificação.
No campo de Kukuo, recém-chegadas primeiro precisam comprar uma galinha de cores fortes como oferenda ao religioso chefe.
Agachado, o velho sacerdote murmura algumas palavras antes de cortar a garganta da ave. Se ela cair de costas, é sinal de que a "bruxa" é inocente e está pronta para ser purificada com água benta.

Caso contrário, a "bruxa" precisa beber uma poção purificadora feita com sangue de galinha, crânio de macacos e terra.
Mas, para o exorcismo funcionar, a mulher não pode ficar doente nos próximos sete dias. Se ficar, tem de tomar a poção novamente.
Embora a tradição dos campos de bruxas aparentemente seja exclusiva de Gana, o costume de encontrar no suposto uso de magia negra explicações para desastres é comum em várias partes da África.

Samata Abdulai
Histórias como a de Samata Abdulai, forçada a abandonar o seu povoado aos 82 anos, são comuns.

Abdulai hoje vive no campo de Kukuo em um dos vários barracos cheios de goteiras e sem acesso a eletricidade ou a água corrente.
Para conseguir água, ela e as outras "bruxas" do campo andam cerca de 5 km diariamente até o rio Otti, carregando os jarros sozinhas.

Uma vida bem diferente do relativo conforto de que desfrutava no vilarejo de Bulli, a cerca de 40 km do campo, onde a vendedora de roupas de segunda mão aposentada cuidava de suas netas gêmeas, enquanto a filha trabalhava nas plantações de algodão.
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O destino da idosa mudou após um de seus irmãos acusá-la pela morte de sua filha, supostamente causada por uma maldição lançada por Abdulai.
"Fiquei confusa e cheia de medo, porque sabia que era inocente. Mas também sabia que, uma vez que começam a te chamar de bruxa, a sua vida está em perigo. Por isso, não perdi tempo, juntei as minhas coisas e fugi do povoado", contou à BBC.
"Quando você é acusada de bruxaria, é uma perda de dignidade. Para ser sincera, tenho vontade de simplesmente acabar com a minha vida."

Um relatório da organização não-governamental ActionAid publicado recentemente afirma que mais de 70% das moradoras do campo de Kukuo foram acusadas de feitiçaria e expulsas após a morte dos seus maridos.
Para muitos, isso é um sinal de que as acusações de bruxaria são uma forma velada de a família se apropriar dos bens da viúva.
"Os campos são uma manifestação dramática da condição da mulher em Gana", afirmou o professor Dzodzi Tsikata, da Universidade de Gana.

"Idosas viram alvo porque não são mais úteis à sociedade."
Para o grupo de direitos das mulheres Songtaba, aquelas que não se adaptam às expectativas da sociedade também acabam vítimas de acusações de feitiçaria.
"A expectativa sobre mulheres é de submissão, então, quando elas começam a dar muitas opiniões ou mesmo ser bem-sucedidas em seu ramo, começam as acusações de serem possuídas", afirma o acadêmico.
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Uma das irmãs mais novas de Abdulai, Safia, de 52 anos, também mora no campo para ajudar a própria mãe e a avó, ambas expulsas do vilarejo.
"Elas não são bruxas, isso é ódio, inveja e uma forma de se livrar de você", afirma.
O governo de Gana sabe que a existência dos campos macula a reputação dessa que é uma das democracias mais progressivas e economicamente vibrantes na África. Por isso, no ano passado, afirmou que tomaria medidas para acabar com eles, provavelmente, em 2012.
O problema é que não se pode simplesmente mandar as mulheres de volta a seus vilarejos.
"Temos que trabalhar muito com as comunidades para que possam voltar sem serem linchadas ou novamente acusadas, se, por exemplo, uma vaca pula uma cerca e derruba alguma coisa", afirmou Adwoa Kwateng-Kluvitse, diretora da ActionAid em Gana.
Na opinião da ativista, isso pode levar entre 10 e 20 anos.

 Fonte: BBC 

ÁFRICA E SUAS LUTAS - Promotoria sul africana suspende acusações polêmicas


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As acusações de homicídio contra 270 mineiros que participaram dos protestos na mina de Marikana, em agosto deste ano foram retiradas em caráter provisório pela Promotoria da África do Sul depois que suspeitas sobre o indiciamento repercutiram em uma crise política no país. As informações são da Folha Online com agências de notícias internacionais.
Os homicídios teriam ocorrido durante confrontos entre sindicatos rivais no país, quando então policiais responderam com um forte ato de repressão. Na ocasião, 34 operários acabaram mortos no conflito que ocorreu dia 16 de agosto deste ano.
Os promotores resolveram aguardar os resultados do levantamento feito pela comissão judicial de investigação, que tenta esclarecer os fatos em relação ao incidente depois que o indiciamento dos mineiros causou perplexidade na sociedade. Isso porque há dúvidas que embora estivessem presentes no local, não certeza sobre sua participação nos homicídos.
As acusações tinham provocando revolta nas famílias das vítimas, gerando até mesmo mal estar no governo do presidente Jacob Zuma. Frente a má repercussão do caso, a promotoria acabou retrocedendo.
"Não resta dúvidas de que a decisão da promotoria provoca um sentimento de estupor, de pânico e de confusão na sociedade sul-africana", disse o ministro da Justiça, Jeff Radebe, que cobrou publicamente informações sobre o caso.
"Pedi ao diretor-geral da Procuradoria, Nomgcobo Jiba, que me apresente um relatório que justifique a decisão", acrescentou
Por conta de nenhum policial ter sido acusado por homicídio na ocasião do conflito, foi criada uma comissão de investigação especial encarregada de esclarecer o que ocorreu.
Juristas sul africanos avaliam que os promotores do país lançaram mão de uma lei antidistúrbios de 1956 para acusar os mineiros. A lei é da época do Apartheid e nunca foi foi revisada após o implemento da democracia em 1994.
A lei estabelece que em caso de tiroteio envolvendo políciais, todas as pessoas detidas no local podem ser responsabilizadas por eventuais mortes que venham ocorrer.
 Fonte: Conjur 

NOTÍCIAS BRASIL - Joaquim Barbosa desabafa: ‘Políticos me odeiam’

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Em aniversário de amiga, ministro do STF diz que não se empolga com a notoriedade
BRASÍLIA - De tênis, jeans e camisa social azul, o ministro relator do processo do mensalão, Joaquim Barbosa, foi o centro das atenções numa festa mais modesta que o casamento da filha do revisor, Ricardo Lewandowski. Sábado, ele compareceu ao aniversário de 50 anos da amiga Kátia Turra, jornalista e companheira de trabalho nos anos de estudos em Brasília. Os convidados queriam saber sobre o julgamento do mensalão. A respeito do sucesso que tem feito nas ruas e nas redes sociais, Barbosa minimizou a possibilidade de optar por um cargo político:
— Eu não me empolgo com essa notoriedade. Os políticos me odeiam por isso.
Alguém disse que, com a condenação de poderosos, ele havia resgatado o sentido de cidadania e democracia:
— O grande fato a se comemorar é julgamento dessa natureza estar acontecendo na mais alta Corte do país.

 Fonte: O Globo 

VIOLÊNCIA RACIAL & POLICIAL - BA – Violência policial contra o protesto da comunidade de Boiadeiro

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Na noite do dia 31, a comunidade do bairro de Boiadeiro, Salvador, saiu às ruas em manifestação contra o assassinato de dois rapazes, conforme noticiamos em BA – Comunidade do Boiadeiro protesta e exige justiça para jovens assassinados. A polícia chegou e não poupou ninguém, como pode ser visto no vídeo acima, postado por "Coisa Forte", com o título "Reaja à brutalidade policial".
A informação foi compartilhada o Facebook por Haroldo Oliveira, com o comentário: "Esta é a resposta do Brasil 'racialmente democrático' ao povo que ousa erguer a cabeça para denunciar a farsa imposta pela violência e pelas armas, sustentada por uma plutocracia retrógrada, corrupta e violenta, que teima em se perpetuar e às suas idéias, sempre tendo como aliada de última hora uma elite inescrupulosa, cuja prática predatória impõe-se juntamente à primeira pela exclusão e estupidez.
Infelizmente a Bahia é o exemplo mais gritante do racismo, do contraste e da exclusão do povo negro nas instâncias de poder, chegando-se ao cúmulo do que acontece neste vídeo. Isto nos deprime, indigna e, podem ter certeza, nos diminui muito enquanto país. Vergonha".

NOTÍCIAS DE CELEBRIDADES AFRODESCENDENTES 'Infelizmente, o racismo ainda está aí, ainda existe', diz Lázaro Ramos -

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O papel de Lázaro Ramos (33) em Lado a Lado, próxima novela das 6 da Globo, fará os telespectadores refletirem sobre um problema social que acontecia em 1903, 15 anos após a abolição da escravatura, mas que permanece em todos os cantos do país até hoje: o racismo.
"Ali era o nascedouro de tudo. Antigamente, se for pensar, a luta era somente para ter onde morar. Tudo se passa apenas quinze anos após a abolição da escravatura, em que a princesa Isabel deu uma canetada com duas frases, que não explicavam o que ia acontecer com esse contingente todo [de negros] que veio para o Brasil. A luta das pessoas era para ter o que comer. Era mais primal", afirma o ator.
Para o galã, as favelas são a grande prova de que muitos negros ainda lutam para ter o que comer e para ter uma moradia melhor. "Hoje em dia existem outras lutas: por uma maior qualidade de educação, por uma maior inserção em cargos profissionais que usualmente não são ocupados por negros. Uma luta para ocupar cargos públicos, cargos políticos. As cores, as tintas dessa questão são outras, mas continuam existindo. Infelizmente o racismo ainda está aí, ainda existe".
Lázaro também ressalta as mudanças no combate às ações racistas ao longo dos tempos e lembra uma situação discriminatória vivida pelo cantor brasileiro Seu Jorge (42) na Itália. "A gente já entendeu que para resolver a exclusão e o racismo, não existe uma estratégia somente. Eu acho que, talvez, a grande mudança seja essa. Perceber a situação e descobrir qual vai ser a estratégia para a situação, e não achar que é somente uma estratégia, a da luta e do grito. Talvez a luta e o grito sejam necessários em algumas situações extremas. A história que aconteceu com o Seu Jorge, agora pouco, na Itália, é chocante e tem que gritar mesmo".
Personagem em Lado a Lado
Com um personagem tão intenso, Lázaro não o vê como um protetor dos direitos dos negros, mas sim de todas as etnias e um grande exemplo de amor próprio. "Ele é um personagem que tem muita autoestima. E isso eu já gostei nele. Ele nunca abaixa a cabeça, chega nos lugares e diz: 'eu também tenho o direito de estar aqui. Eu vou ter uma vida melhor, eu quero construir um mundo melhor'. Esse é o texto do personagem: 'Eu quero falar de escravidão somente como uma lição, para que isso não se repita'".
Para seu intérprete, Zé Maria retrata a importância de gostar de si mesmo. "É bacana que isso acaba atingindo brancos, negros, crianças, adultos, idosos. Porque essa é uma frase que serve para todo mundo: autoestima nunca faz mal. Não pode ir para a arrogância, mas nós gostarmos de nós mesmos já é um grande caminho". E acrescentou, detalhando sua maneira de combater a diferença racial, também citando Espelho, seu programa no Canal Brasil: "O meu caminho é da afirmação, o de propor soluções. É como eu sinto, é como eu, menino, lá de Salvador, do bairro do Garcia, sentia a situação toda. Agora que tenho a oportunidade de dirigir um programa de televisão, estou oferecendo o meu discurso".
O galã ainda procura fazer o mesmo quando dirige suas peças teatrais ou quando esteve à frente de O Curioso, quadro do Fantástico exibido em 2010. "Me aproveito desse microfone conquistado para mostrar um pouco o meu olhar, para compartilhar, para não ficar só reclamando, para ser pró-ativo".
"Essa novela, além de entreter – porque eles estão fazendo uma novela, um folhetim – tem esse subtexto que é muito importante para a gente se perceber, perceber onde a gente está e de onde a gente vem. Ele provoca uma discussão, da melhor forma que tem, que é tocando o sentimento das pessoas, sem ser didático. É uma novela que está aí também para entreter", finalizou.
Lado a Lado, próxima novela das 6 da Globo, tem estreia marcada para o dia 10 de setembro.

Fonte: Caras

RACISMO NO BRASIL - Urubu Branco: O racismo explicito

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Por Maria Sylvia Oliveira para o Portal Geledés
Meu sentimento é de completa indignação com o quadro "humorístico" do Zorra Total, programa veiculado pela Rede Globo, em horário nobre, no último sábado, dia 01/09. A citada emissora ultrapassou todos os limites do aceitável.
Desta vez, além da personagem Adelaide, representação da mulher negra de forma grotesca e estereotipada, que já vinha sendo apresentada no programa por um "humorista" que pinta o rosto de preto, a tal personagem traz sua filha uma mulher branca com o rosto pintado de preto, cujo personagem traz no peito uma faixa onde se lê "urubu branco". No quadro "humorístico", esta personagem, uma menina negra desdentada e feia, gostaria de participar de um concurso de beleza e foi instigada pela mãe a beijar a mão do branco (padrinho) pedir a benção, sendo que este lhe aconselhou a passar chapinha ou prancha nos cabelos para alisá-lo.
É impressionante o total desrespeito da emissora à criança negra, que já na primeira infância tem de conviver com o preconceito e discriminação: não se vendo representada nos programas de televisão (já que na programação de televisão só existem pessoas brancas, crianças loiras) e quando mostrada a criança negra é como delinquente ou de forma absolutamente estereotipada, como no programa citado.
Não será nenhuma surpresa se na segunda-feira as meninas negras forem chamadas de "urubu branco", na escola, sendo ridicularizadas por causa do programa. É lamentável que uma emissora de televisão que tem a pretensão de informar a população coloque no ar um programa com um quadro que desqualifique tanto a imagem já tão depreciada da população negra.
Infelizmente, ao que parece, a Rede Globo desconhece por completo a campanha da UNICEF, "POR UMA INFÂNCIA SEM RACISMO", cujo vídeo institucional é protagonizado pelo ator contratado desta mesma emissora, Lázaro Ramos.
Digamos não à programação da Rede Globo. Vamos procurar entretenimento televisivo de qualidade na TV Cultura ou qualquer outra emissora que nos trate, os negros, com um mínimo de respeito. Aprendamos a usar nosso poder na frente do aparelho de televisão, o poder de escolher, o poder de mudar o canal de televisão, o poder de usar nosso controle remoto.

COTAS PARA NEGROS - As armas e as cotas: Luiz Felipe de Alencastro

livro banco da defesa nacional
por Luiz Felipe de Alencastro
Nas vésperas do Sete de Setembro, cabe lembrar as perspectivas sobre as Forças Armadas inscritas no "Livro Branco da Defesa Nacional" (LBDN), apresentado em junho à presidente da República e ao Congresso.
Organizado pelo ministro da Defesa, Celso Amorim, o Livro Branco constitui uma iniciativa original. Tanto na forma quanto no seu conteúdo. Faltou, na imprensa e nos meios políticos e universitários, um debate à altura das análises elaboradas no LBDN. Pela primeira vez, a reflexão sobre as Forças Armadas e a diplomacia estão associadas num documento governamental que analisa as relações de força no mundo atual.
Resta que o LBDN não aborda um problema importante — de repercussão nacional e internacional –, que Amorim ajudou a começar a resolver no Itamaraty. Problema com o qual ele e seus sucessores no atual ministério também terão que lidar: a discriminação racial não escrita que exclui negros e mulatos do alto oficialato das Três Armas.
No Itamaraty, o assunto foi abafado durante muito tempo. Entrou pela primeira vez em pauta quando o presidente Jânio Quadros, em 1961, na época da independência das colônias africanas, nomeou o escritor Raimundo Souza Dantas (1923-2002) embaixador em Gana.
Primeiro e único embaixador negro desde a Independência, Souza Dantas escreveu "África Difícil, Missão Condenada: Diário" (1965), que narra a discriminação de que foi vítima, por parte de intelectuais e diplomatas brasileiros, no seu posto na África. Quando o livro saiu, a ditadura já sufocava o debate sobre esse e outros assuntos.
Agindo como pau-mandado do colonialismo português, o Itamaraty perseguiu o então diplomata e futuro dicionarista Antônio Houaiss (1915-99). Membro da Comissão de Descolonização da ONU, Houaiss dialogava com os movimentos independentistas da África lusófona. Como narra o embaixador Ovídio de Andrade Melo, em seu livro "Recordações de um Removedor de Mofo no Itamaraty" (2009), a pedido de setores salazaristas, Houaiss foi cassado e demitido do Itamaraty, acusado de ser "inimigo de Portugal".
No entanto, cada vez que o governo abria uma embaixada na África, inclusive nos países lusófonos, já escaldados pela colaboração de Gilberto Freyre (1900-87)com o colonialismo salazarista, escancarava-se um paradoxo: como acreditar que o Brasil era uma "democracia racial" se todos os diplomatas, e até os contínuos da embaixada, eram brancos? A branquidade encenada pelos diplomatas brasileiros entravava a política do Brasil na África.
Com a redemocratização, o debate voltou à ordem do dia. Em 2002, iniciou-se o programa Bolsa Prêmio de Vocação para a Diplomacia. Implementado pelo Itamaraty, o programa concede a afrodescendentes bolsas de preparação ao concurso à carreira diplomática.
A necessidade de aproximar o rosto interno do rosto externo do país foi sublinhada pelo então presidente Fernando Henrique, em dezembro de 2001: "Precisamos ter um conjunto de diplomatas -temos poucos- que sejam o reflexo da nossa sociedade, que é muliticolorida e não tem cabimento que ela seja representada pelo mundo afora como se fosse uma sociedade branca, porque não é".
Sob a presidência de Lula, o processo se consolidou. Em julho de 2008, em Brasília, o então chanceler Celso Amorim enfatizou que a democracia é "incompatível" com a discriminação, acrescentando: "Acreditávamos que éramos uma democracia racial. Hoje sabemos que isso não é verdade".
AJUSTE Contudo, o ajuste entre o rosto interno e o rosto externo do país é longo e difícil. No último dia 18 de agosto, reportagem de Flávia Foreque na Folha revelou que, dentre as 40 novas embaixadas abertas na África, 35 têm um corpo de diplomatas inferior ao previsto. Por quê? Porque alguns itamaratecas, que se acham, evitam as embaixadas africanas, acreditando que tais postos rebaixam suas carreiras.
Celso Amorim deixou o Itamaraty e, depois de uma pausa, assumiu o ministério da Defesa. Graças à sua iniciativa, redigiu-se o "Livro Branco". Com 270 páginas, o documento contou com o aporte de vários ministérios e duas centenas de colaboradores.
De saída, o LBDN salienta as bases da geopolítica nacional: "O Brasil dá ênfase a seu entorno geopolítico imediato, constituído pela América do Sul, o Atlântico Sul e a costa ocidental da África". Mais adiante, a importância do espaço oceânico é reiterada, porquanto o Brasil é o "país com maior costa atlântica do mundo".
Citado no texto introdutório da presidente Dilma Rousseff, o pré-sal é objeto de mais quatro referências no LBDN. A posse da Zona Econômica Exclusiva de 200 milhas marítimas (onde está o pré-sal) garantida pela Convenção da ONU de 1994, que foi assinada por 152 países, é destacada.
Mas o documento também observa que nem todos países aderiram à convenção, "inclusive grandes potências", circunstância que "pode se tornar, no futuro, uma fonte de contenciosos". O que o LBDN não diz, mas está nos jornais, é que a única das "grandes potências" não aderente à convenção de 1994 é os Estados Unidos.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

ESPORTE: Anderson deve deixar seu cinturão vago para fazer superluta contra GSP nos meio-médios, diz site


Uma enorme reviravolta pode tomar conta do UFC nos próximos meses e terá como protagonista Anderson Silva. De acordo com o experiente repórter norte-americano Dave Meltzer, o campeão dos médios do UFC pretende deixar vago seu cinturão para finalmente fazer a superluta contra o campeão dos meio-médios Georges St-Pierre.
Ele reportou que em conversas com o altíssimo escalão do UFC foi revelado que essa ideia já está avançada para o brasileiro e que deve acontecer em 2013, podendo ele fazer ou não mais uma defesa de cinturão dos médios. Com isso, ele resolveria o “problema” que o evento tem, com a categoria estagnada com a falta de desafiantes para o Spider.
Para que isso aconteça, no entanto, é necessário que o canadense GSP vença o campeão interino dos meio-médios Carlos Condit, no UFC 154, em novembro, mantendo seu cinturão.
Essa enorme mudança também pode afetar outro brasileiro que tem a mesma equipe de empresário de Anderson Silva, Lyoto Machida, o que também deve ter entrado nessa negociação.
Machida será o próximo desafiante pelo cinturão dos meio-pesados, em sua terceira chance de ficar com o título. Em caso de derrota – para Jon Jones ou Dan Henderson – ficaria politicamente impossível ele ter uma nova oportunidade de ser campeão da categoria. Sem Anderson nos médios, Lyoto estaria livre para descer de peso e recomeçar seu caminho por um título.
Vale a pena ressaltar que tanto Lyoto Machida quanto Anderson Silva não teriam maiores problemas para descer de categoria, já que pouco sofrem para bater seus atuais pesos.
A conferir se essa revolução toda realmente vai se concretizar. No papel, pelo menos, poderia ser muito interessante para o evento e para os fãs de MMA, que poderiam ver novos grandes combates, novos campeões e a superluta que todos querem ver.
FONTE: UOL ESPORTE

Racismo ambiental: África na rota dos lixos do ocidente

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A quantidade de resíduos produzidos no mundo nos últimos trinta anos cresceu três vezes mais do que a população. Pior, a quantidade de lixo tóxico aumentou várias vezes mais e ameaça o ambiente em diversas regiões do mundo, como África.
Brasília - A população mundial produz atualmente mais resíduos do que consegue acolher e tratar. E cria todos os anos lixos tóxicos, como o nuclear, que ninguém quer. Como sempre, são os mais vulneráveis os mais prejudicados, e África tem-se transformado no caixote do lixo do mundo industrializado.
A quantidade de resíduos produzidos no mundo nos últimos trinta anos cresceu três vezes mais do que a população. Pior, a quantidade de lixo tóxico aumentou várias vezes mais e ameaça o ambiente em diversas regiões do mundo, como África.
O continente tem sido nas últimas décadas um autêntico caixote do lixo das nações industrializadas. Nigéria, Costa do Marfim, Gana, Benim ou Somália são verdadeiros locais de depósito de resíduos tóxicos de diversos países industrializados do hemisfério norte, para quem sai mais barato a sua exportação do que o seu tratamento. Mas a Guiné-Bissau e Moçambique também já receberam carregamentos do exterior. O Ocidente, na sua estratégia de desenvolvimento assente no consumismo e na globalização, vende a África os seus produtos, e ainda exporta, muitas vezes ilegalmente, os desperdícios indesejáveis que resultaram da sua fabricação. Isto apesar da legislação internacional, que já existe.
Questão global que só encontra soluções se entendida como tal, os resíduos continuam a ser um problema pouco valorizado na generalidade dos países africanos. As lixeiras são o principal destino de todo o género de desperdícios, incluindo os urbanos, industriais e tóxicos. O ambiente é duramente afetado, e a saúde pública é colocada em risco. Além do despertar para a consciência do problema, que nem sempre existe, as soluções passam por financiar projetos dedicados especificamente aos resíduos. O que não é fácil nos tempos que correm.
 Fonte: Africa21

Prefeitura de Los Angeles decreta 'dia de Bob Marley'

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Morte do cantor jamaicano, nos EUA, completa 31 anos nesta terça (7).
Filhos e netos do astro do reggae comemoram homenagem.

Os irmãos Ziggy e Karen, herdeiros de Bob Marley,com os netos Gideon e Nest (filhos de Ziggy, à direita). Eles posam com placa que marca a criação do 'dia de Bob Marley', pela prefeitura de Los Angeles, nesta terça (7). O astro do reggae morreu nos EUA em 7 de agosto de 1981, aos 36 anos
 Fonte:  G1


ESPORTE: A história do racismo no futebol brasileiro

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Por Julio Ribeiro Xavier
Em tempo de Copa do Mundo, tendo o Brasil como país-sede em 2014, é sempre bom lembrar a trajetória da nossa "paixão nacional". E ninguém melhor do que o jornalista e escritor Mario Filho para abordar o assunto. Mario Filho nasceu em Pernambuco, viveu no Rio e trabalhou nos jornais A Manhã, A Crítica e O Globo. Depois dirigiu o Jornal dos Sports até a sua morte, em 1966. A prática de racismo no futebol não é uma novidade no Brasil. Mario Filho tratou do assunto em 1947. Com O Negro no Futebol Brasileiro, livro publicado em 1947, o jornalista abordou um assunto incômodo para a época: o lento e doloroso ingresso de negros e mulatos no futebol brasileiro. Afinal de contas, até pouco tempo, nossa sociedade pregava aqui e no exterior que a nossa democracia racial era um exemplo para o mundo de convivência harmoniosa entre negros e brancos.
Nos primórdios, no nosso "esporte nacional", ainda não era comum jogar banana ou xingar um jogador negro de "macaco" nos campos de futebol. Naquela época, futebol era coisa de branco e rico. Introduzido no Brasil pelos ingleses que aqui chegaram, no futebol não se admitia mulato ou negro nos campos, e nas aquibancadas eram raridade. Era o Brasil onde o futebol tinha um sentido aristocrático. Era "coisa de bacana".
Com a vitória da equipe brasileira no Campeonato Sul-Americano em 1919, a imprensa e alguns escritores, como Coelho Neto, passaram a dar grande destaque ao futebol, que entrou no gosto do povo. Em 1921, o então presidente Epitácio Pessoa "recomendou" que o Brasil não levasse jogadores negros à Argentina, onde se realizaria o Sul-Americano daquele ano. Era preciso, segundo ele, projetar no exterior uma "outra imagem" nossa, composta "pelo melhor de nossa sociedade".
Cínico e hipócrita
Era a política do Estado brasileiro, em relação àsua população negra, alcançando o futebol. O primeiro herói mulato do futebol brasileiro foi um atacante de cabelos crespos, filho de pai alemão e mãe negra. Friedenreich, do Paulistano (SP), se tornou ídolo em 1919, depois de fazer um gol contra o Uruguai. "O povo descobria, de repente, que o futebol deveria ser de todas as cores, futebol sem classe, tudo misturado, bem brasileiro," escreveu Mario Filho.
O livro aborda a inovação da equipe de futebol do Clube Vasco da Gama, do Rio de Janeiro, que era oriundo da Segunda Divisão e que, utilizando um time formado por brancos, negros e mulatos, conquistou o título da Primeira Divisão do campeonato carioca enfrentando equipes formadas apenas por brancos. Mas Mario Filho lembra um comentário de um dirigente vascaíno da época: "Entre um preto e um branco, os dois jogando a mesma coisa, o Vasco fica com o branco. O preto é para a necessidade, para ajudar o Vasco a vencer."
Mario Filho foi mais além ao lembrar o torneio do Natal entre as equipes de futebol do Rio de Janeiro e São Paulo. No dia 25 de dezembro de 1916, paulistas e cariocas disputaram um jogo de seleções em São Paulo. Como muitos brancos se recusaram a jogar no Natal, os cariocas completaram o time com negros e mulatos. No campo, uma derrota: 9 a 1. Após o jogo, os cariocas afirmaram que a seleção não representava o verdadeiro Rio. "A real possuía família e jamais deixaria seus parentes solitários numa noite de Natal. Só negros e mulatos eram capazes de agir dessa forma."
Ao escrever um livro dedicado a abordar a trajetória dos negros e mulatos no futebol brasileiro, Mario Filho conhecia bem o campo em que estava pisando. O campo do racismo cínico e hipócrita que persiste até os dias de hoje e que faz muitos estragos não só nos gramados, mas em toda a estrutura da nossa sociedade.

Literatura Negra será tema no espaço Salão de Idéias na Bienal do Livro

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Literatura Negra será tema no espaço Salão de Idéias- dia 12 de agosto (domingo) às 14:00.

A mesa receberá a grandeza do escritor Cuti e a densidade de sua reflexão acerca da
matéria. Também o ponto de vista do jornalista Nabor, criador de O Menelick- 2º Ato- que
vem se tornando uma antena a repercurtir o literário e a nova geração. Heloisa Pires Lima, mediadora, não deixará esquecer a vertente voltada para o leitor infanto-juvenil. Fica o convite para o fortalecimento do debate

 Curador: Paulo Markun
Assistente: Lázaro Oliveira
De 9 a 19 de agosto

IMPORTANTE: PROGRAMAÇÃO SUJEITA A ALTERAÇÕES
COMO PARTICIPAR: SERÃO DISTRIBUÍDAS SENHAS DUAS HORAS ANTES DE CADA ATRAÇÃO

O espaço oferecerá um panorama do mundo do livro e de suas conexões com outros campos da cultura e da atualidade, reunindo autores e obras pelo critério da aproximação ou do contraste.