TIRE O SEU RACISMO DO CAMINHO QUE EU QUERO PASSAR COM A MINHA COR. Georges Najjar Jr

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

POLÍTICA: Vice negra é passo para valorizar liderança feminina


Olívia e Célia têm em comum histórico de luta pela igualdade social e afirmação racial
Independente do resultado das urnas no dia 28 de outubro, Salvador terá pela primeira vez em sua história uma mulher negra ocupando o cargo de vice-prefeita, o segundo mais importante da cidade. A escolha de uma representante do sexo feminino e afrodescendente para a função é um marco, sobretudo em uma capital cuja maioria da população é negra, mas ainda registra casos de preconceito racial, e onde as oportunidades de emprego e renda são desiguais para os gêneros, principalmente na área política.
Embora a composição da chapa dos candidatos com vices-negras - Célia Sacramento do PV compõe com ACM Neto do DEM e Olívia Santana do PC do B, com Pelegrino (PT) - seja considerada uma avanço, sobretudo simbolicamente, a escolha, por outro lado, suscita questionamentos. Primeiro, pelo papel de "meras coadjuvantes" desempenhado pelas vices, o que, para a socióloga e presidente do Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra, Vilma Reis, é uma "imagem usada para compor, ao lado de machos brancos".
Segundo, pelas escolhas de Célia e Olívia serem encaradas como uma tentativa dos partidos de ampliar sua base eleitoral. Coligando-se a mulheres negras, as chapas resignificam sua marca junto ao eleitorado, de acordo com o cientista político Cloves Oliveira. Tentam, dessa forma, se alinhar às bandeiras da diversidade e da igualdade de direitos para contrabalançar a hegemonia de homens brancos, de classe média, suavizando, assim, o perfil duro das legendas.

Saiba mais

Em vez de ocupar a função de vices, Vilma Reis acredita que as legendas deveriam tê-las colocado como candidatas titulares. A socióloga usa como exemplo a candidatura de Benedita da Silva, mulher e negra, à prefeitura do Rio de Janeiro, em 1992, como um ponto positivo para a conquista dos direitos dos afrodescendentes. Já Salvador, para a presidente do Conselho, ainda tem muito a avançar nesse sentido.
"O poder aqui ainda é macho, branco e heterossexual, e não são pensadas outras possibilidades. Por incompreensão e por projeto político de uma classe dominante, simplesmente as mulheres negras não são apresentadas como possibilidade", afirma Vilma Reis.
Histórico de lutas - As duas candidatas, Célia Sacramento e Olívia Santana rebatem a ideia de um papel secundário atribuído a elas. Argumentam que possuem histórico de luta para a autonomia feminina, conhecimento e experiência necessárias em áreas que lhes permitirão trabalhar na implementação de melhorias para a cidade ao lado do prefeito eleito.
"Não me vejo como coadjuvante em lugar nenhum. Jamais faria esse papel. Desde a escola até a Ufba e Cairu (onde estudou), sempre fui líder de sala. Sou uma líder nata", garante Célia Sacramento. Já Olívia Santana afirma que não se contentará com o desempenho de uma vice muda, que estará no cargo apenas para compor. "Serei uma vice-prefeita que pretende ajudar meu candidato a governar a cidade", acrescenta.
Com histórias políticas diferentes, mas igualmente engajadas nos movimentos pela luta da afirmação feminina e da conquista de equidade racial, Célia e Olívia comemoram a escolha e sentem-se orgulhosas de participar de um momento inédito para o processo eleitoral e para a luta da igualdade dos direitos sociais em Salvador. Concordam, contudo, que ainda não é uma conquista plena devido a histórica e "gritante" falta de oportunidade para essa parcela da população.
"É uma forma de recuperar a autoestima da mulher negra, marcada pela ideia de estar fadada a ser empregada doméstica , servente ou para desempenhar trabalhos de limpeza. Fomos criadas com esse complexo de mucama", afirma a candidata do PC do B. A parceira de chapa de ACM  Neto vai na mesma linha: "Sempre fomos excluídos, e esse é um momento importante para a nossa história, um momento real de inclusão social".
Modelo americano - A escolha de políticos negros para encabeçar as chapas, usando como parâmetro os Estados Unidos, nem sempre é feita na primeira participação das candidaturas majoritárias, como explica o cientista político Cloves Oliveira. Nos EUA, entre a década de 60 e 90, muitas oportunidades foram resultado de alianças de candidatos a prefeito brancos, aliados a vices negros, que, logo em seguida, conseguiam apoio político e suporte para concorrer à cadeira de prefeito, e posteriormente, de governador. Há quatro anos, o país levava à Casa Branca o primeiro presidente negro de sua história.
"O grande equivoco é que algumas lideranças falam em termos de 'só' conquistou a cadeira de vice-prefeito por questões de interesse estratégico de um determinado partido. Ao passo que uma reflexão, seria: 'já conquistamos uma cadeira de vice, e podemos trabalhar em prol de uma cadeira de titular'", afirma o professor da Ufba.
O sociólogo Ordep Serra concorda com a avaliação de Vilma Reis ao afirmar que a candidatura de Célia e Olívia ainda não correspondem às necessidades de inclusão social e feminina. "Ainda temos poucas mulheres negras ocupando espaços importantes e quem vencer não deve esquecer que em Salvador a violência contra a mulher ainda é muito grande, e que a população negra é ainda mais pobre, marginalizada e desassistida".

FONTE: ATARDE

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Após pedidos de desculpas, multa e suspensão por 4 jogos John Terry entra em campo com braçadeira anti-racismo.

Efrem Lukatsky/AP
Na quinta-feira, o zagueiro John Terry, do Chelsea, acatou a multa de 200 mil libras e a suspensão de quatro jogos impostas pela Federação Inglesa de Futebol por conta dos insultos racistas proferidos contra Anton Ferdinand, zagueiro do Queens Park Rangers, no ano passado. O jogador pediu desculpas e, na terça, mostrou que está disposto a mostrar sua imagem.

Terry foi o capitão do Chelsea na derrota por 2 a 1 contra o Shakhtar Donetsk. A braçadeira usada pelo zagueiro na partida da Liga dos Campeões da Europa trazia as inscrições “Unidos contra o Racismo”

FONTE:UOL ESPOTRTE

terça-feira, 23 de outubro de 2012

RACISMO NO MUNDO: EUA testaram armas químicas em pobres e negros durante a Guerra Fria, diz pesquisadoraNas décadas de 1950 e 1960, periferia da cidade de Saint Louis, no Missouri, serviu de cobaia em testes de compostos tóxicos


Sob a alegação de que estavam testando um escudo contra ataques nucleares soviéticos na cidade de Saint Louis, militares norte-americanos pulverizaram sobre a população local compostos empregados na fabricação de armas químicas. É o que revela um estudo conduzido por Lisa Martino-Taylor, professora de sociologia da Faculdade Comunitária de Saint Louis que vasculhou documentos públicos e que verificou casos de envenenamento por sulfeto de cádmio e zinco durante as décadas de 1950 e 1960.
Segundo o estudo, as Forças Armadas dos EUA patrocinaram os testes especificamente em áreas socialmente segregadas, de elevada densidade populacional, onde a predominância era de cidadãos negros e de baixo poder aquisitivo. Em entrevista ao jornal local KSDK, ela se disse "muito chocada com o grau de falsidade e sigilo” das autoridades responsáveis pelas operações. “Eles claramente se esforçaram ao máximo para enganar as pessoas”, concluiu.
Os testes de armas químicas sobre humanos teriam sido produto do que Lisa chama de Coalizão Manhattan-Rochester, um programa de pesquisas do governo norte-americano que tentou mensurar no contexto da Guerra Fria o impacto de reações radioativas no organismo humano. Experimentos semelhantes também teriam ocorrido na cidade de Corpus Christi, estado do Texas.
A maior parte dos compostos tóxicos era despejada por meio de aviões durante voos rasantes sobre os alvos. No entanto, Lisa alega que pulverisadores também eram posicionados no alto de arranha-céus e torres meteorológicas da região. Em 1953, foram ao todo 16 testes – não menos que 35 disparos de sulfeto de zinco e cádmio em Saint Louis. A vizinhança mais afetada é descrita por Lisa como "uma favela densamente povoada”, onde residiam cerca de 10 mil cidadãos de renda baixa, em sua maioria crianças.
WikiCommons
 
Imagem de aviões norte-americanos pulverizando agentes químicos no Vietnã. 

Esclarecimentos
Surpresos com os resultados obtidos por Lisa, parlamentares estaduais pediram esclarecimentos às Forças Armadas nesta segunda-feira (22/10). "A ideia de que milhares de cidadãos do Missouri foram expostos a materiais tóxicos contra a própria vontade para determinar seus efeitos sobre a saúde é absolutamente chocante. Não deveria ser surpresa que estas pessoas e suas famílias estejam exigindo respostas dos oficiais do governo", disse à AP o senador estadual republicano Roy Blunt.
A democrata Claire McCaskill, coelga de Blunt, também pediu maiores esclarecimentos ao secretário do Exército, John McHugh."Tanto o Senado quanto a Câmara dos Comuns conduziram investigações ao longo dos anos 1990, mas nada nunca foi concluído, explica Lisa Martino-Taylor. Para ela, o pior erro foi "jamais ter procurado aqueles que realmente foram afetados".
Radiotividade
A pesquisa não foi capaz de concluir com precisão se realmente havia compostos radioativos em meio à mistura de sulfeto de cádmio e zinco. Em sua entrevista ao jornal KSDK, Lisa diz que “há várias evidências de que houve compostos radiológicos envolvidos no experimento”.
Sua hipótese principal é de que a esta mistura foram adicionadas partículas fluorescentes, utilizadas para “iluminar” os alvos e identificá-los para outros testes. Há suspeita de que uma companhia chamada US Radium esteve envolvida com esta parte do experimento."US radium já havia sido legalmente responsabilizada por produzir uma tinta radioativa que matou diversas pintoras de azulejos radioativos”, alega.
Questionada sobre os futuros passos de sua pesquisa, ela revela que o importante foi ter revelado "que tudo isso foi uma violação de toda a ética médica, de todos os códigos internacionais e até mesmo de todo o regimento militar da época”.
FONTE:OPERA MUNDI

RACISMO NO MUNDO: Americana negra foi atacada com fogo pela Ku Klux Klan Sharmeka Moffitt, de 20 anos, teria sido agredida na Louisiana por três homens usando capuzes e chapéus


Sharmeka Moffitt, de 20 anos, denunciou à polícia ter sido alvo de um ataque racial na Louisiana, nos Estados Unidos. Hospitalizada, a mulher permanece em estado grave.

[Membros da Ku Klux Klan queimam uma cruz em Denver, Colorado, em 1921]

De acordo com o depoimento, três homens a atacaram com fogo e escreveram as iniciais do grupo racista Ku Klux Klan, além de uma frase discriminatória, em seu carro.

A porta-voz da polícia da Louisiana Julie Lewis afirmou que Moffitt foi encontrada com queimaduras em mais da metade do corpo após policiais atenderem seu pedido de socorro, na noite de domingo (21/10). Segundo a vítima, os agressores usavam capuzes ou chapéus.

O FBI está investigando o ataque como um possível crime racial, mas até agora ninguém foi preso.  Antes de ser levado ao hospital, Moffitt disse aos policiais que os homens jogaram um líquido inflamável em seu corpo e depois atearam fogo perto de um parque estadual.
fonte: OPERAMUNDI

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

RACISMO NO ESPORTE: Entidade pede desculpas por apelido racista dado a Emirados Árabes


ALeqM5iBvrTdRkyjc2-ptcJgtk9Bq7bERg
A Confederação Asiática de Futebol (AFC) fez nesta segunda-feira um pedido de desculpas oficial aos Emirados Árabes Unidos, que a acusou de racismo por ter dado à sua seleção o apelido de "Macacos da areia".
Em comunicado publicado no seu site, a AFC admitiu "ter cometido um erro de redação ao dar um apelido inapropriado à seleção nacional dos Emirados Árabes Unidos".
"Uma vez percebido o erro, este foi corrigido imediatamente. Pedimos desculpas pelos danos causados à federação e aos torcedores" do país. No domingo a Federação dos Emirados Árabes havia solicitado um "pedido de desculpas oficial", acusando a entidade de "racismo".
"Estamos inconformados com as palavras usadas no site da AFC. O que aconteceu foi inaceitável e é uma falta de respeito que mostra que comportamentos racistas começam a surgir", declarou Youssef Abdallah, presid
O apelido mais usado para a seleção dos Emirados Árabes é ''Al-Abyad'' ou "os brancos", em referência à cor da camisa da equipe.
 Fonte: Terra 

COTAS PARA NEGROS: Cotas raciais para o serviço público e o mercado de trabalho

cotas142
Uma política ou ação afirmativa é uma medida especial e temporária que visa eliminar desigualdades historicamente acumuladas, garantindo a igualdade de tratamento e de oportunidades.  As ações afirmativas visam influenciar a política, a economia e a cultura de um país ou região, com vistas a não só diminuir a desvantagem de um grupo étnico ou social como também de valorizá-lo culturalmente.  Elas nasceram na década de 1960 nos EUA, como forma de promover a igualdade entre brancos e negros. No entendimento de muitos juristas, inclusive dos ministros do STF, numa sociedade crivada por diferenças, as ações afirmativas garantem a igualdade material, definida pela frase “tratar desigualmente os desiguais, na medida da sua desigualdade”.
No Brasil, elas começaram a ser adotadas no final dos anos 1990 e início dos anos 2000. O programa pioneiro foi o lançado pelo Itamaraty:  o Programa de Ação Afirmativa do Instituto Rio Branco, órgão responsável pela formação dos diplomatas. O programa está baseado na concessão de bolsas a afrodescendentes em cursos preparatórios para o processo de seleção do Instituto. Em nove anos, 17 ex-bolsistas passaram a fazer parte do corpo diplomático.
Em 2011, o Itamaraty deu um passo adiante, criando também uma cota de vagas para negros na primeira etapa do processo seletivo.
Entre as razões que levaram o Itamaraty a adotar um programa de ação afirmativa está o fato de que a diplomacia é uma carreira que sofria de uma percepção social elitista; segundo, é uma carreira que representa o País e houve o entendimento de que essas duas questões deveriam ser enfrentadas. Por fim, em Durban [durante a III Conferência Mundial contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e as Formas Conexas de Intolerância], o Itamaraty assumiu o compromisso de promover ações afirmativas.
Em 2001, a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) criaram cotas para negros nos seus processos seletivos, depois de um primeiro ano em que o vestibular de ingresso reservou vagas para alunos vindos de escolas públicas. Em 2003, a Universidade de Brasília (UnB) aprovou a criação das cotas raciais, numa iniciativa inédita entre as federais. Hoje, essas cotas tornaram-se lei para todas as universidades federais do país.
Para além das cotas, em 2003 foi criada a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial que, desde essa época, vem formulando e articulando políticas públicas afirmativas de promoção da igualdade racial. Uma de suas conquistas foi a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial.
Embora ainda haja um enorme caminho a ser trilhado, o país tem demonstrado, nos últimos anos, vontade política para enfrentar o problema da desigualdade racial com ações concretas e ações afirmativas.
Questão de estatística e de consciência
Isto ocorre tanto pelos números da participação dos negros na sociedade brasileira, quanto pela consciência cada vez maior de que a nossa desigualdade não é apenas social, é também racial e sem um recorte específico, não será superada.
Um trabalho realizado pelo Departamento Intersindical de Estudos Socioeconômicos (Dieese) de 2010 sobre a inserção do negro no mercado de trabalho mostra que a população negra predomina na população brasileira, é mais jovem, tem mais filhos, é mais pobre e está mais exposta à mortalidade por causas externas, especialmente homicídios.
Nos últimos anos, com as políticas compensatórias, houve ascensão social. De acordo com a última Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílio (PNAD), são negros 80% dos mais de 40 milhões de brasileiros que subiram à classe C.  Nas universidades, eles são 921 mil entre 3,5 milhões de estudantes. Uma porcentagem pequena se comparada ao total de universitários, mas já grande o suficiente para fazer diferença no mercado de trabalho. E como este se comporta em relação à inclusão de negros?
A pesquisa de 2010 do Dieese mostra que os negros predominam no setor agrícola (61,5%), na construção civil (60,1%), nos serviços domésticos (61,8%) e em atividades mal definidas (73%). Ou seja, mesmo com o avanço social e educacional, os negros ainda não têm oportunidade de ocupar posições mais qualificadas em setores de ponta da economia brasileira. Isso acaba por se refletir na remuneração. Em termos salariais, o rendimento médio do  homem negro ainda é metade do homem branco. A mulher negra está mais embaixo nessa escala: recebe, em média, 30% do salário do homem branco e metade daquele da mulher branca.
Nas empresas, a pesquisa Ethos-Ibope sobre “Perfil Social, Racial e de Gênero nas 500 maiores empresas do país”, lançada em 2010, mostra variação positiva na ocupação de cargos por negros e por negras, mas ainda aquém da participação deles no total da população brasileira.
Nos quadros funcionais, entre 2003 e 2010, a participação de negros ampliou-se de 23,4% para 31,1%. Nos cargos de supervisão, a evolução foi de 13,5% para 25,6%. No âmbito gerencial, a participação subiu de 8,8% para 13,2%. Entre os executivos, a proporção variou de 2,6% para 5,3%.
Marco nas relações sociais no Brasil
Depois de uma década de políticas voltadas à promoção da igualdade racial, é possível apontar alguns efeitos positivos, segundo os próprios movimentos negros. Para esses representantes, o principal resultado é intangível, mas importantíssimo: colocar, definitivamente, a discriminação e o preconceito na agenda pública, mudando a lógica dos debates que sempre foram no sentido de criminalizar o racismo, mas não de enfrentá-lo com ações afirmativas. A integração racial ficava por conta das forças sociais ou das “forças de mercado”, o que não ocorria. A intervenção do Estado é que está fazendo a diferença, nessa década.
Esse plano do governo federal a ser anunciado em novembro vai buscar aprofundar os efeitos das políticas afirmativas, por meio da gestão integrada e coordenada das ações em nível federal. Assim, a cota para negros no serviço público é apenas uma das pontas de um Plano Nacional cujas ações vão também influenciar a cultura e a educação.
No âmbito do emprego, o plano deve estabelecer a cota de 30% de vagas para negros no Executivo federal, incluindo os cargos comissionados. Para o setor privado, o Plano deve criar incentivos fiscais para as empresas que contratarem mais negros (embora o empresário não será obrigado a fazer isso) e punir aquelas que comprovadamente discriminarem pessoas em razão da cor da pele.
Na cultura, a ideia é incentivar os produtores culturais negros. Na Educação, além da regulamentação das cotas para as universidades federais, haverá ainda  o monitoramento da situação de negros cotistas depois de formados; oferecimento de auxílio financeiro a cotistas, durante a graduação; e reserva de parte das bolsas do Ciência Sem Fronteiras, programa do governo federal que financia estudos no exterior.
Esse plano, ao usar unicamente critérios raciais, é mais cirúrgico que as cotas universitárias, uma vez que elas se destinam a egressos do sistema público de educação e, apenas depois, faz menção a negros. Com isso, inaugura uma nova fase nas relações sociais no Brasil, na qual a questão do negro não ficará mais escondida sob o manto da “democracia racial” e será enfrentada com instrumentos de uma sociedade democrática.
Qual o papel das empresas?
Em 2010, quando o STF julgava a constitucionalidade das cotas universitárias, o atual presidente dessa corte, ministro Joaquim Barbosa, escreveu o seguinte, em defesa do papel das empresas na promoção da igualdade racial:
“A adequação do elenco de profissionais às realidades verificadas na região de operação da empresa… estimula as unidades empresariais a demonstrar sua preocupação com a diversidade humana de seus quadros. Isto não significa que uma dada empresa deva ter um percentual fixo de empregados negros, por exemplo, mas, sim, que esta empresa está demonstrando a preocupação em criar formas de acesso ao emprego e ascensão profissional para as pessoas não ligadas aos grupos tradicionalmente hegemônicos em determinadas funções (as mais qualificadas e remuneradas) e cargos (os hierarquicamente superiores).”
Contribuir para, num espaço de tempo relativamente curto, igualar os direitos de brancos e negros no país. Pode fazer isso: contratando negros (e não precisa esperar incentivos do governo para agir assim); criando um ambiente interno propício à tolerância racial, com campanhas que valorizem a contribuição de todos os grupos sociais e étnicos para o sucesso do negócio; estabelecendo políticas de promoção interna que agreguem ao mérito a proporção étnica.
O Brasil será um país melhor se for um país mais igual para todos.
 Fonte: Ethos 

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Movimento feminista faz protesto na frente da casa de vocalista da banda New Hit Os manifestantes marcham em direção à residência do líder e vocalista da banda New Hit, Eduardo Martins, localizada em Guarajuba


Integrantes da Marcha Mundial da Mulheres fazem uma manifestação na manhã desta terça-feira (16), em Guarajuba, contra a liberdade provisória concedida aos integrantes da banda New Hit. O protesto, organizado pelo movimento social feminista internacional, conta com mais de 100 participantes de ambos os sexos.

Os manifestantes marcham em direção à residência do líder e vocalista da banda New Hit, Eduardo Martins, o Dudu. Os nove componentes da banda foram acusados de estuprar duas adolescentes de 16 e 17 anos após um show no município de Ruy Barbosa, no dia 26 de agosto.

Apesar da liberdade, Alan Aragão Trigueiros, Edson Bonfim Berhends Santos, Eduardo Martins Daltro de Castro Sobrinho, Guilherme Augusto Campos Silva, Jefferson Pinto dos Santos, Jhon Ghendow de Souza Silva, Michel Melo de Almeida, Weslen Danilo Borges Lopes e William Ricardo de Farias foram denunciados pelo Ministério Público por estupro qualificado com características de crime hediondo. Para a promotora de Ruy Barbosa, Marisa Jansen, as jovens foram sexualmente abusadas repetidas vezes.

Os nove integrantes da banda New Hit ganharam liberdade condicional no início do mês
 "A marcha está se levantando contra esse caso de violência, porque estupro é crime e eles devem pagar por isso", afirma Mario Neto, líder do movimento. A ação foi organizada pelo Núcleo Negra Zeferina, que faz parte do Movimento Social Feminista, se manifesta contra a liberdade provisória concedida aos acusados no dia 3 de outubro.

Movimento feminista marcha na direção da casa do vocalista da banda New Hit
Os nove integrantes da banda New Hit, além de um policial militar suspeito de  conivência no caso, ficaram detidos por 38 dias no Presídio Regional de Feira de Santana. Um dia após deixar a detenção, a banda foi convidada para participar do Festival de Pagode Salvador, que acontece no dia 21 de outubro.Após protestos de consumidores através do facebook, a Skol anunciou o cancelamento do patrocínio ao festival. Através de um comunicado enviado à imprensa, a marca informou que "em respeito aos seus consumidores está suspendendo o patrocínio até que a questão envolvendo uma das atrações seja esclarecida".A banda New Hit desistiu de se apresentar  no Festival de Pagode no dia seguinte ao comunicado divulgado pela Skol. Segundo Cléber Nunes, advogado da banda, a decisão aconteceu em comum acordo com os integrantes do grupo. Ao portal Ibahia, o advogado disse que os músicos "ainda estão abalados" com a situação e temem a rejeição do público. 
Após protestos de consumidores através do facebook, a Skol anunciou o cancelamento do patrocínio ao festival. Através de um comunicado enviado à imprensa, a marca informou que "em respeito aos seus consumidores está suspendendo o patrocínio até que a questão envolvendo uma das atrações seja esclarecida".

A banda New Hit desistiu de se apresentar  no Festival de Pagode no dia seguinte ao comunicado divulgado pela Skol. Segundo Cléber Nunes, advogado da banda, a decisão aconteceu em comum acordo com os integrantes do grupo. Ao portal Ibahia, o advogado disse que os músicos "ainda estão abalados" com a situação e temem a rejeição do público. 

No Facebook, pessoas indignadas fizeram montagens e comentaram retorno da banda:




Violência contra as adolescentes foi caracterizada como "extrema"
De acordo o Ministério Público, as adolescentes foram abusadas dentro de um ônibus estacionado na Praça Santa Tereza, no centro de Ruy Barbosa, com uso de "extrema violência" e "em alternância". Os acusados foram presos em flagrante na mesma madrugada.

As duas adolescentes viajaram de Itaberaba para Ruy Barbosa para participar de uma micareta e no final do show da New Hit foram até a banda pedir autógrafos e tirar fotos.  Nesse momento, um dos músicos sugeriu que elas fossem até o ônibus, onde os abusos aconteceram.

Além do estupro, o MP diz que as jovens sofreram agressões físicas e foram xingadas. O laudo comprovou que uma das vítimas era virgem.

FONTE:IBAHIA

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Decreto garante sistema de cotas nas universidades federais As instituições terão até 2016 para implantar a reserva de 50% das vagas para os cotistas


Foi publicado nesta segunda-feira (15) no Diário Oficial da União, o decreto para regulamentação da lei de reserva de 50% das vagas das universidades federais e escolas técnicas para estudantes que cursaram o ensino médio em escola pública, sendo metade desse percentual para cotas raciais de acordo com o Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 


A publicação feita pelo governo federal, define na lei que as instituições terão um prazo de quatro anos, ou seja, até 2016 para implantar o percentual de reservas. A avaliação do cumprimento da lei de cotas será realizada por um comitê composto por representantes do Ministério da Educação (MEC) e da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República.



O decreto assinado pela presidente Dilma Rousseff terá como critério de seleção, o resultado dos estudantes no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Segundo Dilma, as pessoas que estudam nas escolas públicas, têm dificuldade para ingressar nas universidades federais. "Nosso objetivo, com essa lei, é ampliar o acesso às nossas universidades e aos nossos institutos federais para os jovens das escolas públicas, para os negros e para os índios", explicou.



A lei exige que 12,5% das vagas (cada curso e turno) já estejam reservadas para os cotistas nos processos seletivos que ingressarão em 2013, para as instituições que disponibilizem um número igual ou superior a mil vagas. Dilma ressaltou que a lei vale para todos os cursos dos institutos federais, inclusive os mais procurados como medicina, engenharia e direito, por exemplo.
fonte: ibahia

domingo, 14 de outubro de 2012

ESPORTE: Ministro de Senegal pede desculpas pelos incidentes na partida contra Costa do Marfim


  • AP
    Partida entre Senegal e Costa do Marfim foi interrompida após torcedores colocarem fogo na arquibancada
    Partida entre Senegal e Costa do Marfim foi interrompida após torcedores colocarem fogo na arquibancada
O jogo deste sábado entre Senegal e Costa do Marfim, em Dakar – capital senegalesa -, pelas eliminatórias africanas para a Copa do Mundo, acabou aos 30 minutos do segundo tempo. O motivo da interrupção foi uma enorme confusão vinda das arquibancadas. Após o segundo gol dos visitantes, marcado pelo atacante Didier Drogba, os torcedores da casa começaram a lançar objetos e pedras no gramado e também a colocar fogo na arquibancada e em bandeiras.
Envergonhado pelo ocorrido, o Ministro do Interior de Senegal, Mbaye Ndiaye, lamentou os fatos e se desculpou publicamente, não deixando de dar os méritos da vitória por 2 a 0 para os marfinenses: "É uma pena, é lamentável. Mas nós parabenizamos a equipe de Costa do Marfim, que teve um grande comportamento como consequência de sua inteligência e experiência", disse em entrevista a um canal local de televisão.
"Eu falei com eles (membros da equipe marfinense) para parabeniza-los pelo êxito, pelo comportamento e também pelo fair-play", completou. Seu discurso foi gravado no próprio Estádio Leopold Sedar, logo depois que a segurança evacuou o local.
Por fim, ele lamentou que "os incidentes tenham sido provocados por jovens presentes no estádio", mas ficou satisfeito com o bom funcionamento da polícia. Ndiaye pediu novamente desculpas aos marfinenses e reiterou que "isso não corresponde com a comumente hospitalidade senegalesa".
Na questão hospitalar, um médico do local disse que sua equipe havia cuidado de pelo menos 10 feridos, mas nenhum em estado grave.

UnB já formou mais de 1 mil universitários pelas cotas Após sete anos, primeira universidade federal do País a adotar reserva de vagas para estudantes negros comemora resultados


O programa de cotas para negros da Universidade de Brasília (UnB) completou sete anos com um saldo de 1.024 cotistas formados. Desde o segundo semestre de 2004, quando a primeira turma de estudantes aprovada pelo sistema iniciou suas aulas na instituição, 6.180 candidatos cotistas já se matricularam na universidade. Para a reitoria, o programa – o primeiro de uma universidade federal – é símbolo de sucesso.

“Estamos no meio do processo, mas o programa é de grande sucesso e tem atingido as metas. Ele está de acordo com o compromisso público e social da universidade”, afirma a decana de Graduação da UnB, Márcia Abrahão. Em três anos, a instituição terá de fazer uma avaliação dos resultados do programa e definir se o mantém ou não.

Criado para durar dez anos, o sistema reserva 20% das vagas do vestibular para estudantes que se declaram negros para uma banca de professores e pesquisadores que entrevistam o candidato. A banca pode julgar o estudante inapto a concorrer às vagas da instituição pelo programa. Antes disso, essa banca avaliava uma foto do candidato.
A forma de declaração da raça é apenas uma das polêmicas que a universidade enfrentou desde que decidiu criar o programa de cotas. Não há consenso entre a comunidade acadêmica sobre a necessidade da reserva de vagas ou o público alvo delas. Márcia ressalta, porém, que os estudos acadêmicos produzidos sobre o tema têm quebrado paradigmas.


Jacques Velloso, professor emérito da UnB e pesquisador colaborador da Faculdade de Educação, é autor de alguns deles. Em diferentes momentos desde 2004, Velloso comparou o rendimento e a evasão dos cotistas em relação aos que entraram pela seleção comum. Analisou também o impacto do sistema para a entrada de negros na universidade.

Os resultados mostram que não há diferenças significativas de desempenho entre os cotistas e os não-cotistas durante os cursos, os que entram pela reserva de vagas abandonam menos a graduação e o sistema de cotas contribuiu para mudar o perfil dos universitários. “O programa mudou sim a cara da universidade. Ele é necessário para corrigir injustiças pregressas, mas ainda possui efeitos modestos”, enfatiza Velloso.

Um dos estudos do pesquisador mostra que o sistema de cotas dobrou (em alguns casos até mais) as chances de os estudantes negros ingressarem nos cursos da UnB, especialmente nos mais disputados. Se as vagas tivessem sido dobradas, mas não houvesse a reserva, o professor diz que a participação desses alunos na universidade não seria maior do que 10%.

Para o professor, a UnB deverá discutir, no futuro, a adoção de cotas sociais também, para que os negros mais pobres sejam incluídos na universidade. Mas reconhece que é preciso oferecer uma educação básica pública de qualidade para que as instituições de ensino superior sejam, de fato, mais plurais.

Rendimento semelhante 
Márcia Abrahão garante que as pesquisas desenvolvidas na UnB quebraram também outros mitos, como a possível queda na qualidade de ensino da instituição. “Os estudos provaram que o desempenho dos cotistas é excelente e independe da forma de ingresso. Na média, a nota do cotista no vestibular é menor, mas ao longo do curso ela some”, diz a decana. 

Alan Sampaio
Gleiciane de Figueiredo Formiga, de 31 anos, se formou em Psciologia e diz que ter entrado na faculdade por cota ajudou a aceitar melhor a cor
Velloso analisou o rendimento de estudantes cotistas e de não-cotistas que entraram na UnB em 2004, 2005 e 2006 em diferentes cursos. De modo geral, os resultados mostraram que, em aproximadamente dois terços ou mais das carreiras, não houve diferenças expressivas entre as médias dos dois grupos ou elas foram favoráveis aos cotistas (a exceção ocorreu em uma das turmas, nos cursos da área de Ciências.

Outra pesquisa, realizada pela professora Maria Eduarda Tannuri-Pianto, do Departamento de Economia e Andrew Francis, da Emory University dos Estados Unidos, mostra que a diferença de desempenho dos estudantes cotistas e os demais é de 0,25 (em uma escala de zero a 100). O estudo foi feito com 3 mil cotistas e não-cotistas de todos os cursos de graduação, que entraram na UnB entre 2004 e 2005.

Para os pesquisadores, a vontade de concluir uma graduação é outro ponto marcante no perfil dos cotistas. Segundo Velloso, os estudantes aprovados pela reserva de vagas para negros demonstram valorizar mais a conquista do curso superior. Por isso, os índices de abandono são mais baixos. Dois anos e meio depois, 16% dos cotistas das primeiras turmas (de 2004 e 2005) haviam deixado a graduação, enquanto o índice entre os não-cotistas era de 18%.

Depois das cotas 
Os estudantes que foram os pioneiros do sistema reconhecem que o sistema de cotas não tem a mesma representação para todos que se beneficiaram – ou ainda se beneficiam – dele. Alguns preferem não lembrar que usaram o programa como entrada na universidade, seja por medo do preconceito seja por falta de identidade negra. Outros admitem que as cotas mudaram a visão que têm de si mesmos. Ninguém, no entanto, passou ileso pela experiência. 

Gleiciane de Figueiredo Formiga, de 31 anos, terminou o curso de psicologia em 2010. Durante anos, sonhou com a vaga na UnB. As tentativas frustradas no vestibular não a desanimavam. Para Gleiciane, as cotas foram simplesmente a força que precisava para conquistar seu sonho. “Eu sentia muita dificuldade em aceitar minha cor”, admite.

Para Gleiciane, ter entrado na universidade pelo sistema de cotas significou mudar a própria imagem e ganhar um diferencial importantíssimo na formação profissional. “Aprendi muito e acho que sou uma profissional diferenciada hoje, mais sensível, por causa das cotas. Trabalhei em muitos projetos, pesquisei o tema e mudei minha própria aceitação”, conta.

O sucesso de Gleiciane, que trabalha como psicóloga em uma clínica, e da irmã dela, doutoranda em História, é considerado uma vitória pelos pais delas. Sem a mesma oportunidade, os dois mal concluíram o ensino fundamental e fizeram inúmeros sacrifícios para que as filhas estudassem em escolas particulares. A ideia era de que elas transformassem a vida familiar. Mesmo faltando livros, elas estudaram onde poderiam ter a oportunidade de se preparar melhor.

Aline Borges, 25 anos, trabalha como advogada. Também pioneira das cotas na UnB, ela optou por concorrer pelo sistema de cotas porque viu na reserva de vagas uma “oportunidade a mais”. Em um curso elitizado e concorrido como o direito, Aline conta que havia preconceito e receio entre os aprovados pelo sistema em contar que eram cotistas.

“Hoje eu vejo que o programa realmente mudou a universidade, mas sempre achei que o mais justo seria condicionar a reserva também aos alunos que concluíram o ensino médio em escolas públicas. É verdade que, em todas as classes sociais, o negro sempre foi mais discriminado. Mas os negros de classes mais altas cursariam uma faculdade de qualquer maneira”, comenta a jovem, que estuda para ser procuradora.

Parte da história 
Alan Sampaio
Eduardo Alves, 28 anos, fazer parte da primeira turma de cotistas negros da UnB

Para o pedagogo Eduardo Alves, 28 anos, fazer parte da primeira turma de cotistas negros da UnB significa participar da história. Uma história que, para ele, mudará a sociedade brasileira para sempre. Primeiro, porque pesquisas e análises de uma população pouco representada na academia estão sendo produzidas. Segundo, porque os cotistas obrigaram a comunidade a discutir e a enfrentar o próprio racismo.

Eduardo reconhece que não foi fácil o início da faculdade. “Quando me vi na lá dentro da UnB, me sentia o próprio racismo ambulante em um espaço de brancos. Foi fenomenal ter entrado pelas cotas porque pude trabalhar esse conflito. Eu não digo que não teria conseguido entrar na universidade sem as cotas, mas elas foram fundamentais para meu processo humano e político”, afirma. Hoje, o jovem estuda para o mestrado em Filosofia. 

Ele acredita que se declarar negro não é uma tarefa fácil. Mas ele segue otimista com os efeitos do programa de cotas. “Ele incluiu um corpo negro na universidade que não existia. O tanto de material intelectual produzido por negros hoje me deixa satisfeito. Vejo que as individualidades negras estão muito mais ativas depois do programa”, analisa.

FONTE: IG

A CAMINHO DE MAIS UMA CORREÇÃO HISTÓRICA: Governo prepara projeto de cotas para negros no serviço público


De acordo com a publicação, o percentual ainda será definido pelas áreas jurídicas e econômicas da Casa Civil. As propostas, segundo a reportagem, foram reunidas pela Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) e distribuídas em três eixos principais: trabalho, educação e cultura-comunicação.
No eixo trabalho, de acordo com o jornal, propõe-se piso de 30% para negros nas vagas criadas a partir de aprovação da legislação. Também está neste item a criação de incentivos fiscais para a iniciativa privada estabelecer metas de preenchimento de vagas de trabalho por negros. Outra norma seria a punição de empresas que discriminam pessoas em razão da cor da pele, proibindo sua participação em licitações.
No eixo cultural, está prevista a criação de incentivos para produtores culturais negros. No educação, há a proposta de monitorar como está a situação dos negros cotistas formados, oferecer auxílio financeiro aos cotistas durante a graduação e reservar à população negra parte da bolsa do programa Ciências Sem Fronteira.
Segundo o jornal, a medida foi defendida pessoalmente pela presidenta Dilma Rousseff e apresenta um aceno a grupos e movimentos sociais, que, em alguns momentos, manteve uma relação conflituosa com a presidenta, como, por exemplo, durante as greves de servidores.
FONTE: IG

ESPORTE: Anderson cumpre favoritismo, brinca com Bonnar e completa show com nocaute no UFC Rio 3

Anderson Silva comemora após nocautear Stephan Bonnar no UFC Rio 3


Considerado o melhor lutador da história do MMA, Anderson Silva deu mais uma mostra de seu poder. Na madrugada deste domingo, pelo UFC Rio 3, ele conquistou mais uma vitória, com direito a show, brincadeiras e um nocaute avassalador contra Stephan Bonnar. Campeão dos médios, Anderson lutou no meio-pesado, sem valer seu cinturão, mas não mostrou problemas para enfrentar um rival muito maior.
“Galera, mais uma vez obrigado por todos estarem aqui torcendo pelos brasileiros. Consciência e paz na hora de voltar para casa”, disse Anderson, no momento “responsabilidade”. “Eu não sou o melhor, mas sou capaz de fazer o que muito acham impossível. Team Nogueira!”
Durante o combate, Anderson abusou das gracinhas. Chamou Bonnar para a grade, tomou alguns golpes e mostrou seu poder de esquiva. Mas foi com uma joelhada certeira no plexo que ele deixou Bonnar estatelado no chão, obrigando o árbitro a encerrar o combate, em seu quarto nocaute consecutivo no Ultimate.
A noite foi de festa brasileira em grande parte, com a maioria dos lutadores da casa vencendo os lutadores gringos. Foi o caso do grande amigo do Spider Rodrigo Minotauro – de quem ganhou um abraço a caminho do octógono -, de Rony Jason e de Demian Maia. Luiz Cane e Erick Silva acabaram levando a pior.
Bonnar começou a luta tentando fugir da técnica apurada de Anderson em pé e já tentando colocar o brasileiro para baixo. O campeão dos médios resistiu e ate chamou Bonnar para a grade, recebendo alguns golpes mas mostrando seu ótimo poder de esquiva para iniciar seu show. Anderson repetiu os chamados, ficando parado à frente da grade e só se esquivando.
A definição veio ainda no primeiro round: Anderson conseguiu derrubar Bonnar, que foi para o chão e se levantou rapidamente. O brasileiro aproveitou o momento de descuido para acertar uma joelhada violenta no plexo do norte-americano. E aí bastou finalizar com socos e marretadas, com Bonnar já sem ação.
Anderson Silva entrou no UFC Rio 3 de última hora. Com as lesões de Rampage e principalmente a do campeão José Aldo, principal estrela do card, o campeão dos médios foi chamado a salvar a noitada na capital fluminense, retornando após ter participado e nocauteado na primeira edição carioca, em agosto de 2011.
O brasileiro planejava voltar a lutar apenas em 2013, depois de nocautear na revanche contra Chael Sonnen, mas afirmou que tinha uma dívida com a torcida, por conta de o combate com o norte-americano ter sido programado para ocorrer no Rio, mas acabou sendo transferido para Las Vegas.
Devido à falta de tempo, Anderson foi colocado para lutar entre os meio-pesados, contra um rival teoricamente fraco, Stephan Bonnar, vice-campeão do The Ultimate Fighter 1 – uma luta histórica, por ter sido uma guerra vencida por Forrest Griffin.
O Spider entrou no octógono do UFC Rio defendendo números impressionantes, mesmo sem colocar o cinturão dos médios em jogo. Em seu terceiro combate como meio-pesado, ele colocou em jogo suas 15 vitórias no Ultimate, a maior série invicta dentro da organização, e o objetivo de encerrar a carreira sem conhecer uma derrota dentro do evento. No total da carreira, antes dessa luta, ele somava 32 vitórias e quatro derrotas.
Bonnar, por sua vez, vinha de três derrotas, mas a falta de grandes desafios o fez se considerar aposentado. Mesmo com a mulher grávida de 40 semanas nos Estados Unidos, ele aceitou o desafio, por considerar uma última chance de escrever um grande capítulo em sua carreira.
FONTE: UOL ESPORTE



ESPORTE: Ganês do Real Madrid se revolta com costume espanhol e recusa jantares de graça


Crédito da imagem: AP
Emprestado pelo Chelsea ao Real Madrid, o volante Michael Essien ainda tenta se adaptar ao modo de vida espanhol. Vivendo há 50 dias em Madri, porém, o ganês mostrou não ter gostado de um tradicional hábito local: ganhar jantares de graça em restaurantes pelo fato de jogar na equipe merengue.
Em declarações postadas em sei site oficial, o meio-campista afirmou que não acha “justo” ter regalias simplesmente por ser boleiro: “Na maioria dos restaurantes que vou em Madri, os proprietários fazem questão que o jantar seja de graça, simplesmente por eu jogar no Real Madrid. Não estou acostumado com isso e tenho que insistir muito para poder pagar. Isso não me parece justo”, reclamou.
Apesar de desprezar o hábito dos restaurantes locais, Essien também afirmou estar gostando da vida na capital da Espanha: “Em Gana, nos orgulhamos muito de nossa hospitalidade, mas aqui (em Madri) é muito parecido. É fantástico como fazem de tudo para fazer você se sentir bem”, comentou.
FONTE: UOL ESPORTE

sábado, 13 de outubro de 2012

PELÉ: Há 50 anos, Pelé atropelava o Benfica

Imagens-Rei-Pele-Foto-Arquivo LANIMA20120405 0117 22-300x222
Com imponentes castelos, capelas e mosteiros, além de belas galerias de arte, museus e parques, Lisboa atraía um grande número de turistas no início da década de 1960. Além disso, a cidade contava com uma das grandes equipes do futebol mundial naquela época.
O Benfica teve um aproveitamento de 100% em casa tanto no Campeonato Português quanto na Copa dos Campeões da Europa da temporada 1960/61. Na campanha seguinte, foi o único time invicto no certame nacional e ganhou todos os seus jogos no Estádio da Luz na principal competição do continente, a qual conquistou pela segunda vez consecutiva ao bater o Real Madrid de Gento, Di Stefano e Puskás.
Aquele triunfo classificou o Benfica para a disputa da Copa Intercontinental contra o Santos, campeão da Libertadores. O time da Baixada Santista venceu a partida de ida no Maracanã por 3 a 2, com dois gols de Pelé e um de Coutinho. Mesmo assim, apesar da vantagem de jogar pelo empate em Portugal, o Alvinegro continuava sendo o azarão. Afinal, se a equipe de Fernando Riera vencesse o duelo de volta, teria a vantagem de jogar o desempate mais uma vez na sua própria fortaleza, poucos dias depois.
Exatamente 50 anos atrás, em uma quinta-feira, 73 mil torcedores lotaram o Estádio da Luz esperando que o timaço de Mário Coluna, Simões, Santana e Eusébio vencesse e forçasse um terceiro jogo. Na Copa dos Campeões daquela temporada, o Benfica tinha aproveitado muito bem o fator local. Nas oitavas, empatara fora com o Áustria Viena para depois golear por 5 a 1 em casa. Nas quartas, havia perdido por 3 a 1 do Nuremberg, mas conseguira a recuperação ao golear o time alemão por 6 a 0. Na semifinal, batera o Tottenham por 3 a 1 em Lisboa depois de perder por 2 a 1 em Londres.
O jogo entre Benfica e Santos começou com chances em ambos os lados, mas foi o time brasileiro que abriu o marcador, com Pelé desviando para as redes um chute cruzado de Pepe. Logo em seguida, o Rei driblou quatro adversários e foi deslocado dentro da área, mas o pênalti não foi marcado. Na sequência, em vez de lamentar a decisão, o camisa 10 do Santos aplicou uma finta sensacional para superar um marcador, passou por mais dois e deu uma bomba de perna esquerda no canto, sem chance para Costa Pereira.
O Peixe já dominava o jogo. Com Calvet e Mauro dando conta de Santana e Eusébio, Pelé quase fez outro golaço antes do final do primeiro tempo. O Benfica perdia por dois gols, e só a vitória interessava, mas o time português tinha a confiança de quem, menos de seis menos antes, havia marcado três gols no segundo tempo para superar por 5 a 3 o poderoso Real Madrid na final da Copa dos Campeões.
Só que aquela confiança durou apenas três minutos. Pelé mais uma vez deixou quatro adversários para trás e chegou à linha de fundo, de onde recuou a bola para Coutinho só completar para as redes. O Atleta do Século ainda fez o seu terceiro, e mais uma vez foi uma pintura. Após pegar a bola no meio de campo, ele tocou entre as pernas de Eusébio, combinou força e malícia para superar três jogadores do Benfica e, após ver o primeiro chute defendido, aproveitou o rebote para completar. Até mesmo os torcedores da casa aplaudiram o gênio, que ainda nem havia completado 22 anos.
Pepe, que teve grande atuação em todo o jogo, aproveitou um erro do goleiro para fazer 5 a 0 aos 32 minutos do segundo tempo. E nem mesmo os dois gols de honra nos minutos finais, marcados por Eusébio e Santana, afetaram a euforia santista.
A vitória por 5 a 2 do Santos no Estádio da Luz é considerada por muitos a maior atuação da história da Copa Intercontinental, precursora da Copa do Mundo de Clubes. A exibição de Pelé naquela noite foi uma das mais brilhantes do craque brasileiro na sua longa carreira com a camisa do Santos.
Quem resumiu o confronto memoravelmente foi o goleiro benfiquista Costa Pereira. "Cheguei com a esperança de parar um grande homem, mas fui embora convencido de que havia sido atropelado por alguém que não havia nascido no mesmo planeta que o resto de nós", declarou.