TIRE O SEU RACISMO DO CAMINHO QUE EU QUERO PASSAR COM A MINHA COR. Georges Najjar Jr

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Um dos maiores pintores brasileiro do século XX e um dos promotores da Semana de Arte Moderna de 1922. Di Cavalcante ousou ao pintar a sensualidade das mulatas.


“Este aí pintou e bordou”. Assim, o escritor Rubem Braga se referia a Di Cavalcanti: Baixinho gorducho (90kg), Di Cavalcanti fez na época uma corajosa e inovadora afirmação da arte brasileira. Ao lado de Anita Malfatti e Tarsila do Amaral foi um dos precursores da geração de pintores modernistas, some-se a isso um sensualismo cálido, um domínio vigoroso do desenho, além do uso forte e elegante da cor. É notável ainda a habilidade com que Di Cavalcanti trabalha as cores esmaecidas. Quem vê o quadro conclui que a mulata de seios parcialmente desnudos é a protagonista da história, perto dela, os demais sambistas, nenhum pintado de corpo inteiro, mais parecem uma extensão do fundo do quadro.




A predileção do pintor pelo sexo frágil se torna mais declarado quando pinta “Cinco moças de Guaratinguetá”. Esse quadro marca o uso mais arrojado e vigoroso das cores, ainda assim seus vermelhos e verdes parecem aprisionados pelas linhas do desenho.

Di Cavalcanti, um autodidata, começou como cartunista de jornal. Entrou no mundo das artes plásticas pela porta dos jornais para os quais desenhava. Foi aluno do pintor impressionista Elpons, que também foi o mestre de Tarsila do Amaral.

Como tantos pintores, Di Cavalcanti não limitou seu aprendizado a um mestre só. Ao final dos anos 20 ele havia estudado e assimilado a técnica da chamada escola de Paris, sobretudo, em Picasso,Cézane, Leger e Matisse. Após esses estudos, Di Cavalcanti já se reconhecia como um pintor modernista. Entretanto, o pintor não conseguiu ir além do sensualismo lírico; sambistas com roupas de marinheiro e prostitutas tristonhas do interior, mostram, claramente, o passeio do artista pela pintura pitoresca. Em 1932, pintou “O Moleque”- óleo sobre cartão. É dos quadros mais bem pintados. Seu formato é pequeno porém, suas formas e cores são carregadas de emoção.

Estima-se que Di Cavalcanti durante cinco décadas, tenha produzido 5000 obras entre esboços, desenhos e pintura.

Boêmio desde a infância, foi em cabarés e mesas de bar que Di Cavalcanti fez amigos, conquistou mulheres e foi apresentado a medalhões das artes e da política. Nos anos 20 trocou o Rio por longas temporadas em São Paulo e em seguida foi para Paris. Acabou conhecendo Picasso e Matisse, nos cafés de Sant-Germain.

Di Cavalcanti era irreverente demais e calculista de menos em relação aos famosos e poderosos. Quando se irritava com alguém, não media palavras. Teve um inimigo na vida, o também pintor comunista Cândido Portinari. A briga entre ambos começou nos anos 40 e jamais se reconciliaram. Portinari nunca tocava publicamente no nome de Di. Este o chamava de “invenção da ditadura Vargas.”

Casou-se oficialmente apenas uma vez com sua prima Maria Cavalcanti. Suas uniões mais estáveis foram com a pintora Noêmia Mourão e com a inglesa Beryl Tucker Gilman, mãe de sua única filha adotiva, Elizabeth Di Cavalcanti.

Di Cavalcanti morre em 1976, vítima de cirrose. Seu velório foi documentado por Glauber Rocha, num filme de 16 minutos, cuja proibição, foi determinada pela justiça, a pedido de sua filha.


Arno Schleder