TIRE O SEU RACISMO DO CAMINHO QUE EU QUERO PASSAR COM A MINHA COR. Georges Najjar Jr

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

CULTURA - A Capoeira na História do Brasil.





Mistura de dança com luta, a Capoeira chegou ao Brasil através dos escravos, tem sua origem na África, usada como forma de defesa contra os castigos violentos impostos pelos Senhores de engenhos. 

Ao som ritmado e bem marcado do berimbau de barriga, caxixi, atabaque, pandeiro e reco-reco, dois participantes ensaiam coreografias sincronizadas, gingadas de perna, braços, mãos, pés, cabeça e ombros. O repertório abrange chutes e piruetas cheios de molejo, malícia e malemolência.



O significado do nome Capoeira vem dos lugares onde os escravos treinavam seus golpes, eram áreas semi-desmatadas, terreiros próximos às senzalas, esses lugares eram chamados de Capoeira, daí o nome desta luta.

Com o fim do regime escravocrata a comunidade negra ainda não teve sua aceitação na vida social, ao contrário vários aspectos da cultura afro-brasileira sofreram repressão, como a capoeira que já foi associada diretamente com a criminalidade, como consta no decreto 847 de 11 de outubro de 1890, com o titulo: “Dos vadios e Capoeiras”.


A história da Capoeira no Brasil trás dois nomes importantes Mestre Pastinha é o grande precursor da Capoeira de Angola, com ritmo musical lento, golpes jogados mais baixos (próximos ao solo) e muita malícia. Outro nome importante é o mestre Bimba responsável pela difusão da Capoeira Regional, este estilo caracteriza-se pela mistura da malícia da capoeira angola com o jogo rápido de movimentos, ao som do berimbau. Os golpes são rápidos e secos, sendo que as acrobacias não são utilizadas. Mestre Bimba fundou a primeira academia de capoeira em 1932.


Em 01 de janeiro de 1973, entrou em vigor o Regulamento Técnico da Capoeira, oficializando a capoeira com o Esporte Nacional Brasileiro.


Graduação e Batizado


Na capoeira a gradução é sibolizada pela cor do cordel, que é amarrado na calça do capoerista do lado direito, a graduação se dá de acordo com o conhecimento de cada capoerista e seu tempo de prática. Cada grupo define seu conjunto de cores. Ao iniciar na capoeira o individuo é chamado de pagão, pois ainda não foi batizado. O Batizado se dar após a primeira graduação do capoerista, com isso o individuo deixa de ser pagão e recebe do grupo um apelido, o apelido é uma tradição capoeristica desde os tempos em que a capoeira era considerada marginal, os capoeistas usavam o codinome para não serem identificados e acabarem presos pela polícia. O dia do batizado é um dia de grande importância para os capoeiristas, posto que, nesse dia realiza-se uma festa em que os novos capoeiras são apresentados à comunidade capoeirística, joga com outras pessoas e desfrutam da oportunidade de até conhecerem os mestres mais antigos.






Rodas

Os capoeiristas se cumprimentam todas as vezes que entram ou saem de uma roda como sinal de respeito pelo companheiro. 
Fazem uma reverência também ao berimbau, pedindo e agradecendo proteção aos céus. 
Acontece também outro tipo de encontro de capoeiristas chamado "roda de rua". Essas manifestações ocorrem livremente em praças, ruas e praias.
As rodas de rua são gerenciadas por qualquer capoeirista, independendo da graduação que ele carrega, e são abertas para qualquer um que queira participar. 
Para iniciar o jogo da capoeira, os capoeiristas dirigem-se para onde estão os instrumentistas e agacham-se ao pé do berimbau. Durante a roda, que é comandada por instrumentos como o berimbau, o pandeiro e o atabaque, são entoadas cantigas que tem seu refrão repetido por todos os participantes da roda. Quem define as músicas e dita a velocidade do jogo é o tocador de berimbau. O ritmo começa lento e termina rápido, onde só os capoeiristas mais graduados devem jogar.
Depois da roda, alguns capoeiristas optam por fazer exercícios de força, como abdominais, flexões de braço ou elevação em barra fixa. Outros treinam saltos acrobáticos, ou treinam golpes atingindo sacos de areia.

As rodas de capoeira são ritmadas pelo toque de instrumentos e pelas palmas dos capoeiristas. 


O berimbau, que servia para dar ritmo ao jogo, também servia para anunciar a chegada de um feitor, ou seja, a hora de transformar a luta em dança. 

O jogo da Capoeira é acompanhado por instrumentos musicais, comandados pela figura máxima do berimbau, o qual dá o tom e comanda o ritmo para a execução das cantigas:
Cantos Corridos ou Ladainhas.


Cantos

Durante a roda são entoadas cantigas que, segundo Areias (1983), se dividem em dois tipos: cantos corridos e ladainhas. 
A diferença entre o canto corrido e a ladainha está no fato de, na ladainha, sempre contar-se uma história, geralmente sem a resposta ou interferência do coro, que participa apenas no momento que o cantador acaba a história e entre no canto de entrada dizendo "iê vamos simbora/ iê é hora é hora" e assim por diante, até chegar à expressão "dá volta ao mundo". Já no canto corrido, o cantador não tem a preocupação de contar nenhuma história, as frases são ditas aleatoriamente, falando de assuntos diversos, e a participação do coro é imediata e necessária desde o seu início. 
Durante a roda, os capoeiristas, que ficam de pé formando a roda, acompanham a cantoria com palmas. A única exceção são as rodas de Angola, onde os capoeiristas ficam sentados e não batem palmas, só começando a cantar quando acaba a ladainha.


A capoeira apresenta diversos toques que são executados de acordo com a ocasião. Dentre eles é destacado:


Angola
É o toque de abertura, lento, onde o mestre da roda, aquele que toca o berimbau, inicia uma ladainha - saudação e os capoeiristas ficam esperando, ao pé do berimbau, a indicação para entrar na roda; o jogo de Angola é lento e rasteiro, servindo para os capoeiras mostrarem flexibilidade e malícia.


São Bento Pequeno

É o toque usado em demonstrações, onde os golpes são executados a poucos centímetros do alvo.


São Bento Grande
É o toque para jogo violento, onde se procura atingir o outro capoeirista, que deve estar muito atento e ter muita agilidade para não ser atingido.


Amazonas: toque usado na chegada de um mestre visitante; é o hino da Capoeira.

Cavalaria

Esse toque antes fazia parte da comunicação entre o capoeira que estava de vigia e os que estavam jogando, indicando a chegada da polícia.

Iuna

É o toque que procura imitar o canto dessa ave; é usado para o jogo entre mestres de capoeira, ou então, no enterro de um deles.

Santa Maria

Toque fatalista, para jogo com navalha na mão ou no pé.

Benguela

É o mais lento toque de capoeira regional, usado para acalmar os ânimos dos jogadores quando o combate aperta.

Idalina

Toque para jogo de faca.

Barravento
Toque para jogo rápido, que exige grande velocidade de reação.

A Capoeira hoje ganhou espaço nas academias, antes treinadas em terrenos desmatados, as escondidas, hoje é um esporte oficial e tem seu reconhecimento nacional. Considerada a arte marcial brasileira a Capoeira tornou-se uma exportadora da cultura brasileira para o exterior. Presente em dezenas de países a capoeira trás ao Brasil milhares de alunos estrangeiros por ano.

Capoeira Hoje
Símbolo da cultura afro-brasileira, símbolo da miscigenação de etnias, símbolo de resistência à opressão, a capoeira mudou definitivamente sua imagem e se tornou fonte de orgulho para o povo brasileiro. Atualmente, é considerada patrimônio Cultural Imaterial do Brasil.

Dentre vários Mestres de Capoeira, podemos destacar o Mestre Alabama, formado em Capoeira Angola pelo Mestre Nô.Hoje ensina essa arte na Academia Alabama que recebeu esse nome em homenagem ao Mestre.